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|[img[Saúde| ./wikiImages/ginastica.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''sem título'', Matosinhos, 2007^^//}}}}}}
Confesso que estranho este aparente consenso nacional - com excepção de umas poucas vozes isoladas - relativamente à nova lei do tabaco. Esta lei insere-se claramente numa perspectiva autoritária, em que o estado se arroga o direito de zelar à força pela nossa saúde. Não é uma iniciativa isolada, antes se enquadra num pacote de medidas alargado, de que as recentes notícias sobre o zelo da ASAE são um outro exemplo. Vão por este andar um dia proibir a carne gorda ou o chocolate nos restaurantes, começando com certeza por obrigar os supermercados e os fabricantes de chocolate a mostrar de uma forma bem visível a informação "A carne gorda engorda e mata!" e "O chocolate engorda e mata!".
Tão preocupados com a nossa saúde mas estranhamente esquecem muitos outros factores que a prejudicam bem mais do que o tabaco. E já não falo do automóvel. Bastará olhar para o crescimento sem igual de doenças do foro psiquiátrico, provocado em grande parte pelo modelo social de precarização e de stress laboral.
Deixem-me reafirmar, [[porque o fiz há um ano atrás|2007-01 - Proibido fumar]], que eu não fumo e que muitas vezes o fumo dos outros me incomoda, mas apesar disso tenho a maior das desconfianças relativamente a iniciativas legislativas que imanam de um modelo, em que se pretende impor à força um tipo de cidadão exemplar, sem vícios e, se possível, elegante, saudável e bonito. E para que não haja dúvidas até se define o que é ser elegante e bonito. É só pena termos de envelhecer. O mundo não é perfeito...
Eu que gosto de praia, de mar, de montanha, que sinto um prazer enorme em andar a pé ou num bom passeio de bicicleta, temo até deixar de gostar de o fazer, se o estado pensar um dia, em nome desta santa cruzada em nome da defesa da nossa saúde, em me obrigar a fazer uma hora de exercício físico por dia...
Tal como disse há um ano //"O que me assusta é uma sociedade onde o prazer não é valorizado. O nosso prazer e o prazer dos outros. E o seu direito a esse prazer, mesmo que faça mal à saúde..."//
E esquecemos quantas vezes na história o génio apareceu associado ao vício...
//^^Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.^^//
{{indent{{{indent{//^^Fernando Pessoa^^//}}}}}}
|[img[Saúde à força| ./wikiImages/fumar3.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''sem título'', Matosinhos, Janeiro 2008^^//}}}}}}
Senti-me obrigado a regressar ao tema, [[pois nunca um tiddler meu teve tantas reacções|2008-01 - A guerra santa contra os vícios]]... A favor e contra! Volto também, porque senti que houve quem não entendesse exactamente a minha posição.
Perdoem-me para já ter de voltar a repetir pela 3ª ou 4ª vez que eu não fumo e que muitas vezes o fumo dos outros me incomoda. Prefiro normalmente locais sem fumo. Considero por isso que poderia ter sido positivo regulamentar o fumo. Concordaria com alguns aspectos desta lei. Acho no entanto que esta lei é excessiva. Por exemplo, considero que um bar deveria poder optar entre permitir ou não permitir o fumo. Eu e outros não fumadores escolheríamos onde preferiríamos ir. Acho igualmente que se não deve fumar numa sala de aula, ou por princípio em qualquer local público, que seja fechado, mas já me parece excessivo proibir o fumo dentro das escolas, mesmo no recreio, obrigando professores e alunos ao triste espectáculo da ter de vir para a rua para fumar. Quando me lembro como, antes do 25 de Abril, os estudantes do secundário só conseguiram fumar nas escolas depois de lutas prolongadas.
Mas mais grave, quanto a mim, repito é o espírito sacrossanto e puritano que entrevejo por detrás desta e de outra leis.
Podem argumentar que os fumadores podem fumar fora dos locais, onde fumar é proibido. É verdade, mas não me surpreenderia se dentro de alguns anos houvesse a tentação de ter para o tabaco uma proibição idêntica à que existe para outras drogas e eu sou favorável à legalização de todas as drogas e parece-me que só não o é quem não compreende a forma como o negócio ou a criminalidade se escondem por detrás dessa proibição, ou quem o compreende muito bem.
O Presidente da ASAE declarava numa entrevista ao Sol e cito:
"Estamos numa sociedade cada vez mais controlada e se nós não quisermos viver nesta sociedade temos hipótese de emigrar".
Claro que mal ele sabia que passados uns dias ele próprio seria controlado e apanhado a fumar no casino do Estoril, para cuja festa teria sido convidado com tudo pago. Lembram-se das suas explicações? - sem comentários
Respondeu o mesmo Presidente, depois de ter afirmado que o fumo do cigarro e das lareiras era o principal poluidor interno, quando questionado se estaria de acordo em proibir as lareiras " Porque não?" - mais uma vez sem comentários.
Disse ainda o mesmo Presidente que mais de metade dos restaurantes em Portugal poderiam ser obrigados a fechar.
Eu prefiro ir comer uma boa cabidela ao Rei dos Frangos, preparada com colher de pau pela cozinheira e dona do restaurante, numa cozinha sem linha de congelação sofisticada, a ter de comer hamburgers no ~MacDonalds, por muitas colheres de plástico que eles introduzam na cozinha. E quero continuar a ter o direito a escolher.
|bgcolor(#ffffff):[img[Objecto pousado na paisagem| ./wikiImages/objectoC.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Quinta do Mineiro, Serro, Rebordelo'', Dezembro de 2007^^//}}}}}}
Para começar o ano mais um objecto insólito pousado na paisagem, na paisagem mais bonita do mundo...
Está bem, reconheço, exagero: uma das paisagens mais bonitas do mundo...
|bgcolor(#ffffff):[img[EDP 2007| ./wikiImages/edp1.jpg]]|bgcolor(#ffffff):[img[EDP 2007| ./wikiImages/edp2.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Prémio EDP 2007'', trabalhos de Daniel Melim e Gustavo Sumpta, Central do Freixo, Porto, Dezembro de 2007^^//}}}}}}
Fui à Central do Freixo no Porto, espaço desactivado, que este ano recebe as propostas artísticas dos candidatos ao prémio EDP 2007 para jovens artistas.
Achei que deveria dar a minha opinião sobre essas propostas nesta minha espécie de blog. Bem sei que não existe a tradição de dizermos o que pensamos sobre os projectos artísticos. E isso é surpreendente para mim pois, se há área onde seria natural existir polémica a partir das diferentes opiniões expressas, essa seria a área da arte. Mas por razões, que não vou agora dissecar aqui, a arte, e em particular as artes plásticas, parecem ter criado à sua volta um ambiente asséptico, onde as polémicas, se não proibidas, são fortemente desaconselhadas.
De todos os trabalhos o que mais me agradou foi o de Daniel Melim. Poderão alguns argumentar que se trata de um projecto pouco vanguardista, já que se trata de uma proposta crua de desenho. Mas apresentar hoje, num concurso com estas características, uma proposta tão nua, baseada simplesmente no desenho, poderá corresponder porventura a uma atitude de muito maior ruptura com os valores dominantes, do que apresentar instalações, onde parece valer tudo, como é o caso do grupo Pizz Buin. Deverá com certeza ter sido divertido para as membros do grupo jogar o jogo "Que mais podemos meter aqui?" e reunir todo o tipo de tralha de casa dos pais, dos avós e dos amigos, mas temos de concluir, por mais graça que encontremos num ou noutro pormenor, que é uma proposta que nos lembra tantas outras instalações, que vimos em tantos lugares do mundo.
Um outro trabalho que me agradou, pela sua simplicidade, é a intervenção minimal numa das salas, de Gustavo Sumpta, que no entanto me parece ter sido prejudicada pelo impacto dos espaços adjacentes, destinados aos demais concorrentes. Acho também interessante o trabalho de Mónica Gomes, apesar de no plano conceptual não ser para mim inteiramente claro.
Perante os trabalhos de André Romão, de André Sousa e de Francisco Mesquita tudo o que posso fazer é roubar uma vez mais as palavras sábias de Marta Bernardes:
^^//A inteligência é a capacidade de ficar perplexo.//^^
Espero eu... Pois mesmo no circo - recorrendo à metáfora para a arte utilizada pelo trabalho de Mafalda Santos - os palhaços têm de ter graça, e os malabaristas agilidade.
Deixei propositadamente para o fim o trabalho fotográfico de André Cepeda. Confesso que é um trabalho muito frio, que me diz muito pouco. Tive por acaso a oportunidade de assistir a uma apresentação do André Cepeda no ano passado, em que ele apresentou os diferentes projectos em que se envolveu desde que começou a fotografar e a sensação clara com que fico é de que o André Cepeda poderia estar a fazer trabalhos muito mais interessantes, se porventura se libertasse da pressão, porventura inconsciente, do gosto dominante, vindo sobretudo de pessoas com formação dominante nas artes plásticas. Mas esta é apenas uma opinião de alguém que observa este trabalho de longe.
Para terminar apenas um comentário. Surpreende-me não encontrar nos seleccionados nenhuma proposta na área da arte na WEB, da arte interactiva ou da arte digital, sobretudo quando tenho tido a oportunidade de ver algumas propostas interessantes de jovens artistas, bastante mais interessantes do que outras que, apesar disso, têm uma grande visibilidade, numa grande parte dos eventos artísticos que visito. Claro que não sei se esses artistas concorreram ao prémio EDP, mas esta realidade que não acontece apenas aqui, surpreende-me.
Surpreende-me? Bem, fico perplexo.
|[img[CPF| ./wikiImages/cpf7.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''As directoras abandonam, uma após a outra, o CPF'', 2007^^//}}}}}}
Não sei se repararam numa pequena notícia esta semana que noticiava uma vez mais a substituição da Direcção do CPF.
O Ministério da Cultura, depois de ter comunicado à antiga directora do CPF que prescindia dos seus serviços e de nomear como directora a sua substituta da área Jurídica, vem agora substitui-la pela responsável pelos Recursos Humanos. Ao que parece, a informação divulgada por alguns órgãos de comunicação social de que nenhuma das duas teria qualquer currículo na área da fotografia, não corresponde à verdade. Confirmámos que a actual directora comprou uma câmara digital e possui em casa a colecção completa dos livros de Sebastião Salgado, editados pela Caminho.
|[img[A roda| ./wikiImages/cpf8.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''A roda'', 2007^^//}}}}}}
Consta que o plano genial do MC é fazer rodar toda a estrutura do CPF, para o que terá adquirido uma roda gigante que instalou no grande largo à frente da cadeia da Relação. Há mesmo quem garanta que a grande área em empedrado de granito, construída aquando da recuperação deste espaço no âmbito das obras da Porto 2001, já foi pensada com este objectivo, o que contraria em absoluta a propalada falta de visão dos nossos políticos. Quando chegar ao fim da estrutura, com a nomeação do porteiro como director do CPF, então o MC decide-se por encerrar a instituição, tendo dado a todos a oportunidade de dirigir a instituição.
Há mesmo quem tenha sugerido adquirir uma roda gigante idêntica, para colocar à porta do Ministério da Cultura...
De acordo com fontes do ministério não existe ainda uma decisão final entre reabrir a cadeia - são conhecidas as carências em área prisional em Portugal - ou subalugar o espaço. Sabemos que tem havido muitos pedidos, vindos de um número fantástico de novas empresas de consultoria, na área da engenharia e segurança alimentar, que têm surgido para preparar os restaurantes e congéneres para as fiscalizações da ASAE.
{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{Ó meu rico S. João<br>ó meu santo milagreiro<br>querem matar o Bolhão<br>só por causa do dinheiro.}}}}}}}}}}}}
|[img[Bolhão| ./wikiImages/bolhao.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Alternativa para o Bolhão?'', Porto, Fevereiro 2008^^//}}}}}}
Já há muito que não entrava no mercado do Bolhão. Há alguns anos, quando trabalhava na Baixa, visitava-o algumas vezes. No último sábado, no contexto da contestação aos planos da CMP para o Bolhão, decidi visitar o velho mercado, para fazer algumas fotografias. As pequenas conversas que mantive com algumas pessoas que lá trabalham foram suficientes para perceber pelo menos duas coisas: elas não sabem bem o que os espera - têm sido mantidas à margem de todo este processo - e não são favoráveis a muitas das mudanças que parecem estar planeadas.
Não conheço o projecto previsto para o local. Apenas o que tenho lido e ouvido, e sobretudo tudo o que vi ser feito nesta cidade e neste país ao longo dos anos, me deixa de pé atrás. Como não conheço o projecto não vou falar sobre ele, pois não gosto de falar do que não sei. Gostaria sim de me pronunciar sobre algumas críticas que têm sido feitas, de diversos quadrantes, às pessoas envolvidas nesta contestação.
Afirma-se que os portugueses contestam todas as propostas e se opõem a qualquer medida que pretenda mudar o que quer que seja. Que é assim o português e também o povo do Porto. Reivindicam mudanças e depois rejeitam-nas liminarmente. A todas. Não pretendo contestar poder ser essa uma característica de muitos portugueses. Estar sempre pronto a dizer mal e a criticar. Poderia até acrescentar que das duas uma, ou se diz mal, mas não se está disposto a ir mais longe, ou se deixa andar, porque se acha que elegemos as pessoas para decidir por nós. Mas ser consequente, intervir, lutar se for necessário, muito poucas vezes estamos dispostos a fazê-lo, porque fazê-lo dá trabalho e preferimos o conforto do sofá à frente da TV. Mas neste caso, as pessoas que contestam o projecto para o Bolhão lançaram um movimento, iniciaram uma petição, já com mais de 50000 assinaturas, têm-se multiplicado em iniciativas, reunem-se no mercado todos os sábados, para questionar se a proposta da CMP é a melhor para a cidade e para o país. Podem ter ou não ter toda a razão, mas esta crítica é absurda. Aliás, se a aceitássemos, deixaríamos pura e simplesmente de poder criticar o que quer que seja.
Afirma-se que o mercado necessita de intervenção e que os contestatários não têm uma verdadeira alternativa para o Bolhão. Chega-se a perguntar onde irão os contestatários buscar o dinheiro para reabilitar o Bolhão. Que o mercado necessita de intervenção é evidente para quem o visita. A degradação a que o deixaram chegar é criminosa. Mas as pessoas que contestam o projecto não têm de apresentar uma alternativa acabada. Não se trata de um consórcio a responder a um concurso. Alternativas existem com certeza, pois há sempre alternativas para tudo. E todas as alternativas implicam compromissos e cedências. Há que analisar qual delas é a melhor para a cidade do Porto.
Afirma-se que os contestatários estiveram calados durante anos e só agora, que se pretende solucionar o problema, vêm contestar. Poderão ter razão em que os portuenses estão calados há demasiado tempo, mas mais uma razão para pretenderem discutir agora o projecto pata o Bolhão. Porque mais vale tarde do que nunca.
Ou seja, todas as críticas parecem não ser minimamente fundamentadas.
^^{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{''Olha o animal''<br><br>nem sempre é fácil<br> olhar o animal<br>mesmo que ele te olhe<br>sem medo ou ódio<br>fá-lo tão fixamente<br>que parece desdenhar<br>o seu subtil segredo<br>parece ser melhor sentir<br>a evidência do mundo<br>que noite e dia ruidosamente<br>perfura e corrói<br>o silêncio da alma<br><br>//Jean Folllain (Trad. Jorge Sousa Braga)//}}}}}}}}}}}}}}}^^
|[img[Enchidos| ./wikiImages/porcos6.jpg]]|[img[Enchidos| ./wikiImages/porcos2.jpg]]|
|[img[Enchidos| ./wikiImages/porcos5.jpg]]|[img[Enchidos| ./wikiImages/porcos3.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Enchidos transmontanos'', ~Trás-os-Montes, Fevereiro 2008^^//}}}}}}
Queria homenagear o porco, nesta espécie de blog. Sim, porque se há um fiel amigo, amigo de sempre, amigo pronto a dar a vida por nós, não é o bacalhau, como nos pretenderam fazer crer, mas o porco. O bacalhau foi amigo recente e amigo de pouca dura.
Para homenagear o porco fui de imediato ao Bestiário Poético ''Animal animal'', organizado pelo Jorge Sousa Braga, à procura de uma ode a este animal, mas nada. O livro é uma autêntica arca de Noé, mas falta o porco. Quero por isso lavrar aqui o meu protesto. Poemas ao cão, à vaca, ao touro e ao burro, até acho bem... Poema à borboleta, que como se sabe é capaz de, com um bater de asas, transformar um dia de sol numa tempestade medonha, ainda vá... Mas poemas ao pinguim, ao escaravelho, à medusa e depois esquecer o porco... Bem sei, Jorge, o que com certeza me vais responder. Que procuraste por todo o lado, até debaixo dos nenúfares, e não encontraste. Que tu, que nasceste no alto Minho, quase transmontano portanto, também gostas muito do porco, mas não encontraste nenhum poeta que lhe tenha dedicado um poema. Bem sei também que os homens são uns ingratos e preferem glorificar a pantera ou o urso, a reconhecer o que devem ao porco. Depois de tudo o que o porco por eles fez, esquecem-no, na hora de escrever poemas. Desculpa lá Jorge, mas todas essas desculpas, sendo verdadeiras, não me convencem. Se não encontraste, escrevias tu, ou como último recurso "enganavas-te" na tradução e no poema ''Olha animal'' traduzias animal por porco e estava solucionado o problema. Porque o porco também tem alma, como dizem os japoneses...
^^Tudo isto a propósito de uma visita que fiz a uma pequena unidade industrial de tipo familiar, de enchidos tradicionais, em ~Trás-os-Montes. Não é fácil antever o futuro de regiões como ~Trás-os-Montes. De facto, a médio, longo prazo não me parece sustentável um modelo que já hoje vemos a definhar, assente exclusivamente em serviços, e porventura nalgum turismo, que no entanto só será viável em regiões bastante delimitadas, de natureza mais protegida e mais selvagem. Os enchidos tradicionais parecem ser uma das poucas actividades com hipótese de sucesso. Podemos ainda/já encontrar três tipos distintos: enchidos tradicionais, caseiros, produzidos ainda como se produziam há anos atrás, e vendidos apenas a quem conhece a velha senhora que os produz, pois produz um pouco mais do que as necessidades de consumo da família; enchidos produzidos em pequenas unidades familiares, como a que visitei, que introduziram já algumas modificações de tipo industrial, mas que mantêm em grande parte o fabrico tradicional; e por último verdadeiras unidades industriais, de tamanho pequeno e médio, a produzir em grandes quantidades e, como é óbvio, não garantindo a qualidade gastronómica das primeiras nem das segundas.^^
|[img[Indícios| ./wikiImages/ppoa.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Indícios'', Matosinhos, 2007^^//}}}}}}
Uma das características inerentes ao processo fotográfico é a sua natureza vestigial. Esta característica tem sido o epicentro de muita discussão e de muita conceptualização. Os vestígios que a fotografia da praia de Matosinhos evidencia sugeriram-me o diálogo seguinte entre o senhor X e o senhor Y.
X - As marcas dos pneus na areia indiciam com clareza que um jeep passou por aqui.
Y - Isso são suspeitas sem provas. Quem faz estas afirmações tem de apresentar provas do que afirma.
X - Não me compete a mim investigar que carro foi. Só afirmo que se há rastro de pneus, houve um carro que passou por aqui.
Y - Que se apresentem provas. Sem provas são atoardas!
X - Que querem que eu diga? O modelo do jeep? A cor? Se o condutor usava relógio no pulso esquerdo. De que marca? Até sou capaz de afirmar, que se diz por aí, que o dono desse jeep toma café todos os dias de manhã num bar junto à praia.
Y - Provas! Provas! Ele que apresente provas!
Nota: o jeep continua todos os dias a passear ao longo do areal.
^^Para o António Marinho Pinto, presidente da ordem dos advogados, pela coragem que tem demonstrado de dizer em voz alta aquilo que tantos dizem em voz baixa e que todos sabem que é verdade...^^
|[img[Indícios| ./wikiImages/carnaval.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Carnaval'', Porto, Carnaval 2008^^//}}}}}}
Gosto de um bom espectáculo, de um bom divertimento e acho graça a alguns aspectos do Carnaval, ainda que não me possam considerar como um grande entusiasta das brincadeiras carnavalescas. Mas cada coisa no seu lugar.
Hoje confrontamo-nos frequentemente, quando visitamos instituições ligadas à arte contemporânea, com duas situações, à primeira vista opostas. Ou encaramos com projectos artísticos que estamos fartos de ver em todo o lado e que muitas vezes valem mais pelo que se escreve acerca deles do que pelo que realmente nos mostram, ou oferecem-nos projectos onde sobressai a multiplicidade e a grandiosidade de meios, projectos espectáculo, verdadeiros carnavais de cor, de imagem e de som, muitas vezes designados por projectos multimédia.
No âmbito de uma formação nesta área ajudei a construir um site chamado ''[[Noves Fora Nada|http://www.dznpuro.com/novesforanada]]'', que pretende, pelo absurdo e pelo nonsense de histórias inventadas do Sr. Valéry, que uma vez mais roubei ao Gonçalo M. Tavares, propiciar alguma reflexão sobre o que afinal são, ou podem ser, os projectos multimédia.
^^{{indent{{{indent{Ponha aqui o seu pezinho
devagar, devagarinho
como fora Cinderela
Tem sandália, tem botim
em couro e em cetim
para a mais bela donzela}}}}}}^^
|[img[Cinderelas do Alendouro| ./wikiImages/feira2.jpg]]|[img[Cinderelas do Alendouro| ./wikiImages/feira1.jpg]]|
|[img[Cinderelas do Alendouro| ./wikiImages/feira4.jpg]]|[img[Cinderelas do Alendouro| ./wikiImages/feira3.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Cinderelas do Alendouro'', Rebordelo, Março 2008^^//}}}}}}
Regresso ao Portugal da [[Feira Cabisbaixa|2007-10 - Feira cabisbaixa]] do Alexandre O'Neill, neste cenário onde os sapatinhos alinhados, pousados na paisagem transmontana parecem esperar por Cinderelas à procura de um príncipe encantado...
^^Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
{{indent{{{indent{//Bertolt Brecht//}}}}}}^^
|[img[Design| ./wikiImages/florestaDesign.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Consensual'', em //Floresta Gráfica//, Porto, Março 2008^^//}}}}}}
Este poema do Brecht foi-me sugerido pela discussão que hoje se trava em torno da necessidade da avaliação do desempenho em todas as áreas profissionais, e em particular dos professores.
Num plano abstracto, tenho visto toda a gente defender a necessidade dessa avaliação. Eu incluir-me-ia nesse grupo.
No entanto muitas interrogações se podem colocar. Desconfiai sempre do parece ser natural e consensual...
Começo por afirmar que tive uma experiência longa com um sistema desses e que fui obrigado a constatar que era um sistema pesado e que conduzia a resultados injustos e incorrectos, de que a própria administração se não servia, quando queria, por exemplo, distribuir prémios aos colaboradores. No entanto, o sistema não só se mantinha, como tinha tendência a crescer e a complicar de ano para ano. Tenho falado com muitas pessoas de outras empresas que me contam histórias parecidas. Curiosamente, muitos modelos são construídos de tal forma que, no fim do processo, não existem responsáveis por essa avaliação. Um dos factores, por exemplo, que contribui para esta completa desresponsabilização nos resultados é a avaliação subordinada a quotas. Encontramos outros parâmetros, muitas vezes de carácter pretensamente objectivo, muitas vezes de uma arbitrariedade total, que contribuem também para essa diluição de responsabilidade. E no entanto não pareceria ser difícil. Todos nós passámos por escolas e todos nós sabíamos quem eram os bons e quem eram os maus professores. Quase sempre nas empresas se sabe quem são os bons e os maus trabalhadores e no entanto não se consegue implementar um modelo simples para explicitar esse conhecimento tácito. É estranho não é?
Gostaria de acabar com uma certeza que tenho hoje, apesar de saber que pode corresponder a algo de politicamente muito incorrecto nos tempos que correm. ''É preferível não haver nenhum sistema de avaliação, a haver um sistema injusto e incredível.'' De facto, é melhor um sistema onde todos evoluem na carreira, em função apenas do tempo, deixando à consciência de cada um a forma como exerce a sua profissão, apesar da injustiça que tal sistema comporta, do que um sistema onde a progressão possa depender da relação pessoal com a chefia, ou até do partido a que se pertence, onde em vez da consciência de cada um está em causa a sua venda a retalho.
|[img[Tempête| ./wikiImages/tempeteF.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Tempête'', Matosinhos, Fevereiro 2008^^//}}}}}}
Voltar a velhos temas é como regressar à casa onde nascemos ou onde crescemos; ajuda-nos a acreditar(enganar?) que somos os mesmos...
|[img[No meu país o céu é azul| ./wikiImages/azul3.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''No meu país o céu é azul'', Porto, Março 2008^^//}}}}}}
^^{{indent{{{indent{O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul<br>
{{indent{{{indent{//Sophia Mello Breyner Andresen//}}}}}}}}}}}}^^
No meu pais o céu é azul, o mar é azul, os teus olhos são azuis, mas isso já não me chega...
|bgcolor(#ffffff):[img[Sala de estar| ./wikiImages/tv.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Sala de estar'', Porto, Janeiro 2008^^//}}}}}}
Chegamos a casa e sentamo-nos em frente ao aparelho de televisão para sabermos o que acontece no nosso país. O governo faz as reformas necessárias, a oposição reclama e afirma que fazia melhor, os professores protestam porque não querem trabalhar mais, o Scolari escolhe os melhores para a selecção, e o resto não acontece...
|bgcolor(#ffffff):[img[Livro de contas|./wikiImages/aritmetica.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Livro de contas'', Armazéns Gonçalves, Monteiro&Cª Lda, Porto, Abril 2008^^//}}}}}}
A aritmética da vida é feita de adições e de subtracções. Raramente acontecem multiplicações ou divisões, se é que alguma vez acontecem. Muito menos raízes quadradas, ou cúbicas, potências ou exponenciais... Haverá quem queira fazer bazófia e afirme que lhe aconteceu, até que lhe acontece todos os dias, mas é por certo mentira. As adições e subtracções já são mais do que suficientes para tornar a vida complexa.
Na vida adicionamos memórias e subtraímos tempo, mas o resultado desta conta nunca é exacto, pois o que adicionámos e o que subtraímos nunca é igual. Ao fazermos a prova dos nove da vida, o resultado quase sempre é negativo: errámos nas contas. Mas, surpreendentemente, nalguns casos, a prova dá certa e assim somos enganados e pensamos que a nossa vida está certa. É fácil perceber porquê. Se em vez de 22 eu obtiver 31, por exemplo como resultado do cálculo, a prova dos nove dá o mesmo resultado, 4, apesar do erro ser enorme. Se pensarmos, observamos que a probabilidade de uma conta errada ter como resultado uma prova dos nove positiva é de cerca de 11%, pois um em cada nove resultados errados conduz a um resultado por certo errado, mas com a prova dos nove certa. É portanto exactamente esta a probabilidade de uma pessoa acreditar que tem uma vida certa e de ser feliz: 11%. Não é nada mau se compararmos com a probabilidade ter acertar no totoloto ou na lotaria. A prova dos nove da aritmética vida é falível e ainda bem que o é.
QED.
^^Nota: fiz a fotografia numa visita a um dos últimos e resistentes armazéns de tecidos para grossistas, a convite do meu amigo e fotógrafo Mário Jorge Pedra. Fica na R. Passos Manuel no Porto e vai fechar a curto prazo, porque o prédio vai ser vendido. Lá dentro pesam as memórias e escapa tempo. Fiz a prova dos nove e a conta estava errada.^^
^^{{indent{{{indent{O futuro é o passado que amanhece}}}}}}^^
^^{{indent{{{indent{{{indent{//Teixeira de Pascoais//}}}}}}}}}^^
|bgcolor(#ffffff):[img[Caminho para o futuro|./wikiImages/futuro.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Caminho para o futuro'', FEUP, Abril 2008^^//}}}}}}
^^{{indent{{{indent{O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento}}}}}}^^
^^{{indent{{{indent{{{indent{//Sophia Mello Breyner Andresen//}}}}}}}}}^^
|bgcolor(#aaaaaa):[img[Metro Porto|./wikiImages/metro.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''O poema habitará'', Metro do Porto, S, Bento, Março 2008^^//}}}}}}
No século XXI, as grandes catedrais da Idade Média ou do Renascimento, ou os palácios dos grandes senhores do passado, foram substituídos, em grande medida, como obras civilizacionais, por aeroportos ou por grandes estações. Mas até aí a poesia habitará...
{{indent{{{indent{^^
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.^^}}}}}}
{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{^^//Sophia Mello Breyner Andresen//^^}}}}}}}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[1º dia, 25+1 de Abril|./wikiImages/renata1.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, "1º dia, 25+1 de Abril", 25+1 de Abril 2008^^//}}}}}}
{{indent{{{indent{//^^
Mais do que uma vez
atravessei a primavera
com os ohos fechados
in ''Fogo sobre Fogo'' de Jorge Sousa Braga^^//}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[primavera 2008|./wikiImages/primavera2008.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Primavera 2008'', Rebordelo, Serro, Abril 2008^^//}}}}}}
porque aprendi que o que é realmente importante se não vê com os olhos, mas com o coração...
{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{//^^Para a Ana Luísa Amaral (pela paciência com que pedala ao nosso lado)^^//}}}}}}}}}}}}
{{indent{{{indent{^^Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de Verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.
O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o supor, aparece e desaparece
uma rosa. No dia de Verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.
De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.
Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de Verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
O poeta dá à pata como os outros animais.
Se o sul é para trás e o norte é para o lado, é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
com um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um Verão interior. ^^}}}}}}
{{indent{{{indent{{{indent{{{indent{^^// Herberto Helder//^^}}}}}}}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[1º dia, 25+1 de Abril|./wikiImages/bicicletaHH.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, "A bicicleta", 2006^^//}}}}}}
É difícil pedalar a poesia, sem corrermos o risco imenso de nos afogarmos...
|bgcolor(#ffffff):[img[Dar com os pés na arte|./wikiImages/gulbenkian.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Dar com os pés na arte'', a partir de Come and Go de Laurent Grasso, Fiction and Reality, ~CAM-Gulbenkian, Maio 2008^^//}}}}}}
Alguns teóricos da nossa praça continuam a propagar a ideia de que arte é tudo aquilo que um artista diz que é arte. Esta ideia-panaceia poderá à primeira análise parecer brilhante a quem ande distraído, um ovo de Colombo capaz de resolver um problema milenar, que deixou sem sono tantos filósofos, pelo menos desde o tempo da Grécia Clássica, que se saiba.
Eu pretendo afirmar aqui, com convicção, que tal não é verdade. Porque a arte é sim aquilo que um (não) artista é capaz de dizer que não é arte, aquilo que ele é capaz de desprezar, de pisar, de denegrir, de pontapear. Não há na história arte verdadeira, a quem os não artistas e tantos artistas de gabarito não tenham dado com os pés...
{{indent{{{indent{
^^Vende-se tudo
tudo, tudo
tudo, tudo
a cinquenta
Pintura,
poema,
censura
Tudo, tudo
a cinquenta
Afecto,
esquema,
decreto
Tudo, tudo
a cinquenta
Máscara de Entrudo
desculpa p’ra cornudo
Tudo, tudo
a cinquenta
E pior ‘inda que tudo
é que tal ‘inda me tenta
e eu ainda me junto
a tudo, tudo
tudo, tudo
tudo, tudo
a cinquenta^^}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[Tudo a 50|./wikiImages/cinquenta.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, "Tudo a 50", 2007^^//}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[Arte é|./wikiImages/lucioFontana1.jpg]]|[img[Arte é|./wikiImages/lucioFontana.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Arte é'', a partir de obra Luciano Fontana, Colecção Berardo, CCB Maio 2008^^//}}}}}}
Alguns amigos têm-me falado desolados. "Se já não podemos confiar nas palavra de um artista e dessa forma ter a certeza acerca da arte, o que fazer?", perguntam-me eles. Eu, desolado, mostro-me compreensivo com esta tendência para encontrar fórmulas milagrosas para resolver as nossas questões e para não termos de pensar. Nós gostamos de ter uma vida reduzida a fórmulas ainda que contraditoriamente, tantas vezes, manifestemos uma enorme tendência para a complicar.
Insistem, não satisfeitos. "Afinal o que fazer?" Eu, obrigado a responder, dou-lhes por fim um critério infalível.
Uma obra é uma obra de arte, se sentirmos uma atracção irresistível a entrar para dentro dela. E depois de entramos, chamamos muitas vezes mais gente. Todos os que estão à nossa volta. As obras de arte são como as sereias. Somos atraídos. Por vezes comem-nos. São canibais.
Não sei se os convenci...
^^A propósito, este ano não visitei a festa de Serralves. Não posso pois falar sobre ela, mas o que me chamou a atenção foram os cabeçalhos e as notícias de todos os jornais. "Serralves bate recorde de visitantes". "Mais de 80000 visitantes este ano". Nem uma palavra sobre a qualidade dos projectos. Fico sem saber, se tal como a ano passado, mais uma vez, se assistiu a um grande número de espectáculos de qualidade no mínimo duvidosa, misturados com propostas verdadeiramente interessantes, para encher as 40 horas e para entreter os visitantes. Não sei se assim foi e os jornais nada me dizem, mas dizem que esteve lá muita gente. Já agora, as beiras das estradas em Portugal e na Suiça também se encheram de gente, para ver passar o autocarro da selecção.^^
|bgcolor(#ffffff):[img[ Nem sempre o corpo se parece com um bosque|./wikiImages/floresta.jpg]]|{{indent{Nem sempre o corpo se parece com<br>um bosque, nem sempre o sol<br>atravessa o vidro,<br>ou um melro canta na neve.<br>Há um modo de olhar vindo<br>do deserto,<br>mirrado sopro de folhas,<br>de lábios, digo.}}}<br><br>{{indent{^^//Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra//^^}}}|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, '' Nem sempre o corpo se parece com um bosque'', a caminho de Stralsund, Alemanha, Julho 2008^^//}}}}}}
Há um encantamento, uma magia, nas florestas do Norte, que não encontro por cá.
|bgcolor(#ffffff):[img[País de névoa e de não-ser|./wikiImages/nevoa.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''País de névoa e de não-ser'', Afife, Julho 2008^^//}}}}}}
{{indent{{{indent{
^^E tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não-ser^^}}}}}}
{{indent{{{indent{{{indent{//^^Sohia Mello Breyner Andresen "Há cidades acesas" ^^//}}}}}}}}}
|bgcolor(#ffffff):[img[Paisagem proibida a objectos insólitos|./wikiImages/proibido.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Paisagem proibida a objectos insólitos'', Koenigstuhl, ilha de Ruegen, Alemanha, Julho 2008^^//}}}}}}
E os objectos insólitos rodopiam à volta da minha cabeça e não conseguem pousar...
|bgcolor(#ffffff):[img[Peter Pan|./wikiImages/peterPan.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Peter Pan'', Stralsund, Alemanha, Julho 2008^^//}}}}}}
Lembro-me de ter escrito este texto sobre o Peter Pan há bastantes anos, depois de reler o livro de J. M. Barrie. A minha ideia era então, recordo, escrever uma série de pequenos textos, dedicados ao Peter e à infância que, contra tudo e contra todos, permanece dentro de nós. Já não sei porquê mas acabei por ficar só pelo primeiro texto, que me voltou à memória agora, quando fiz esta fotografia no Norte da Alemanha, perto de Stralsund, que poderia ter sido mais um objecto insólito pousado na paisagem.
Hesitei depois em colocar o texto aqui, nesta "espécie de blog", pois é um pouco mais longo do que os limites por mim próprio impostos, mas ele olhou para mim, triste por voltar à gaveta escura, e eu condescendi.
PS - Frau Luna não sei quem é. Hoje à noite vou abrir a janela do quarto e esperar por Peter para lhe perguntar...
^^''A visita de Peter''
Abri os olhos devagar. Pareceu-me ver um reflexo junto à janela. Pensei tratar-se de um reflexo de uma luz vinda da rua. Mas o reflexo movia-se e começou a aproximar-se da cama. Comecei a ouvir um ligeiro tilintar que aumentou à medida que a luz se aproximava. Finalmente parou. Esfreguei os olhos. No ar, a flutuar à frente do meu nariz, estava um pequeno ser alado com formas de mulher. Suspirei de alívio: estava a sonhar. Depois ocorreu-me que quando se sonha não se suspira de alívio, pois não acreditamos estar a sonhar. Belisquei-me com demasiada força e gritei. A fada, pois de uma fada se tratava, surpreendida, bateu as asas e afastou-se cerca de um metro. Eu queria falar mas não sabia o que dizer. Comecei por uma pergunta óbvia:
- Quem és tu?
Ela aproximou-se novamente e sussurrou:
- Sou a Sininho. Não me reconheceste?
- A Sininho?...
- Claro, a Sininho. A companheira do Peter. Lembras-te daquela vez em que me escondeste dos piratas no bolso de trás das calças. Tinha perdido o meu poder de voar. Os piratas não me encontraram pois não sabiam que as tuas calças tinham bolsos atrás. Bem se fartaram de te revistar. Lembras-te? Até te obrigaram a despir. Depois prenderam-te a uma árvore, mas eu durante a noite libertei-te.
Ia continuar a contar a história mas eu, que não estava a perceber nada, sacudi a cabeça e interrompi-a:
- E o Peter onde está?
- Vem aí, como te prometeu.
- Prometeu?
- Claro. Prometeu-te ontem que viria, e deve estar a chegar.
Ouvi pancadas no vidro da janela.
- Olha aí está ele - disse a fada.
Dirigi-me à janela. Do lado de fora, Peter acenou-me. Não conseguia entrar porque a janela só tinha uma estreita frincha aberta, por onde Sininho entrara. Abri a janela. Peter entrou, rodopiou no ar e aterrou em cima da cama. Começou a pular. Dava voltas e reviravoltas e pinchava no colchão. Mandei-o parar.
- Está bem, é a tua vez - respondeu-me, e saiu da cama para o sofá.
Começou de novo a saltar. Mandei-o de novo parar. Peter olhou para mim surpreendido:
- Queres brincar a outra coisa? - perguntou-me.
- Não. São três da manhã. Preciso de dormir. Amanhã cedo vou trabalhar.
- Trabalhar? Para quê? - perguntou-me Peter, mas depressa pareceu esquecer a pergunta e recomeçou a pinchar no sofá e a fazer acrobacias no ar.
- Pára Peter! Já te disse que preciso de dormir para amanhã cedo trabalhar!
Peter olhou-me muito sério, como se só agora tivesse realmente compreendido o que eu lhe dissera e de novo perguntou:
- Para quê?
- Ao trabalhar participo no esforço colectivo e contribuo com a minha parcela para o bem estar comum. Numa sociedade cada qual tem de contribuir com o seu trabalho.
Peter arregalou os olhos, desceu do sofá, aproximou-se de mim e perguntou-me:
- Sentes-te feliz quando trabalhas?
- Bem... Nem sempre... Tento conciliar...
Mas ele não deixou que eu terminasse:
- Queres vir comigo para a Terra do Nunca? Lá não precisamos trabalhar. Brincamos, e só quando nos apetece - olhou-me fixamente, à espera de uma resposta.
- Terra do Nunca? - voltei a ter a sensação de estar a sonhar. Belisquei-me de novo, mas desta vez com mais cuidado, para não doer. Senti os meus dedos apertar o músculo da nádega, mas não gritei.
- Claro, para a Terra do Nunca. Eu bem te avisei que irias arrepender de voltar. Ontem tinhas muito melhor ar. Tens ar de cansado, não queres brincar! Estás mesmo esquisito!
Fiz um esforço tremendo para me lembrar, pois no fundo queria acreditar que tinha estado na Terra do Nunca, que tinha tido mil aventuras com Peter e Sininho, mas dentro da minha cabeça existia apenas um vazio que doía.
- Vens ou não vens? Eu disse-te ontem que te viria buscar, e vim - disse Peter.
Cada vez que ouvia Peter referir-se a ontem convencia-me que se tratava de facto de um sonho. Ontem tinha trabalhado todo o dia, como sempre fazia, tinha voltado para casa, visto um pouco de televisão e vindo para a cama. Tinha adormecido até Sininho me acordar. Nessa altura eu ainda não compreendia que o tempo era uma realidade diferente para Peter, nem menos nem mais correcta, apenas diferente. Cada qual vive dentro do seu tempo, Peter vive dentro do seu.
- Vens? Nós temos de partir. Temos marcada uma corrida com os peles-vermelhas para amanhã de manhã. Não podemos chegar atrasados.
- Se eu for, consigo voar como tu?
- Claro, não te lembras? Na Terra do Nunca todos voamos. Basta pensar em coisas boas. Com a ajuda do pó da Sininho é canja!
Peter subiu novamente para o sofá e recomeçou a brincadeira dos saltos.
Tive medo de continuar aquele sonho. Queria dormir descansado. Queria que o Peter fosse embora e me não contasse mais nada sobre a Terra do Nunca.
- Não, não vou! Não posso! Podes sair? Preciso dormir!
- Está bem. Volto amanhã. Vamos Sininho!
Saíram pela janela.
Voltei para a cama. Custou-me muito a voltar a adormecer. Pensei num texto que tinha lido há muito tempo sobre uma árvore que queria transformar-se em pássaro e voar! Rodopiei nos lençóis e acabei por dormir. Não sonhei.
…
No dia seguinte fui para a cama cedo. Certifiquei-me que a janela estava bem fechada pois queria dormir toda a noite sossegado. Bem sei que era uma estupidez, mas foi mais forte do que eu e tranquei a janela! ^^
Regresso às palavras e às imagens como quem regressa ao lar depois de uma viagem. Sinto-me perdido nos corredores da minha própria casa.
|bgcolor(#ffffff):[img[transparência|./wikiImages/transparente.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''transparência'', Matosinhos, Julho 2008^^//}}}}}}
Talvez a melhor forma de medir uma democracia seja medir a transparência das instituições. Em Portugal preza-se muito a confidencialidade e muito pouco a transparência. O governo, as autarquias, os serviços públicos fecham-se em copas. Não se conhecem os contratos com consultoras e assessores. Não se sabe o que se gasta e como se gasta. Se pensarmos um pouco, por exemplo sobre o projecto do novo aeroporto de Lisboa e do TGV, sobre o que aconteceu e está acontecer com o aeroporto do Porto, podemos não compreender mas, se não estivermos distraídos, concluímos imediatamente que a história está mal contada. E com a crise dos combustíveis que se anuncia, ainda está mais mal contada. Nas empresas ninguém conhece os ordenados ou os prémios dos colegas e claro muito menos dos administradores. A chamada avaliação de desempenho é sempre confidencial, como se valesse alguma avaliação em que os objectivos, os critérios e sobretudo os resultados são escondidos. Até nas escolas se está a querer adoptar parcialmente este modelo da confidencialidade!
De vez em quando a imprensa noticia pequenos escândalos de empresas ou de ministérios que são objecto de reparos pelo tribunal de contas. Má gestão, compadrio, prémios exagerados, que ninguém conhecia, carros topo de gama, indemnizações, etc., etc. É bom que se saiba, mas sabemos que vai tudo continuar como se nada fosse, quando muito os administradores vão para outra empresa, até com um aumento de ordenado e vai tudo continuar muito pouco transparente.
Conduzimos quase sempre os nossos actos e as nossas vidas como se fôssemos eternos e eternas fossem as coisas à nossa volta que nos importam. No entanto tudo é efémero e muitas vezes muito efémero. Duas pequenas histórias de efemeridade, da minha visita ao norte da Alemanha, na semana passada.
|bgcolor(#ffffff):[img[Efemeridade|./wikiImages/rugen1.jpg]]|[img[Efemeridade|./wikiImages/rugen3.jpg]]|
|bgcolor(#ffffff):[img[Efemeridade|./wikiImages/rugen2.jpg]]|[img[Efemeridade|./wikiImages/rugen4.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Efemeridade'', Prora, ilha de Ruegen, Alemanha, Julho2008^^//}}}}}}
A ilha de Ruegen no norte da Alemanha foi o local de férias das classes ricas da Alemanha desde o final do século XIX. Locais como Binz, recuperados depois pela DDR para destino de férias dos seus altos dirigentes, surpreendem-nos pela elegância que evidenciam, que só conhecemos dos filmes. Palacetes pintadinhos de branco, transformados hoje em conjuntos de apartamentos de luxo, ostentando muitas vezes ainda o nome da família tradicional que os mandou construir, ou da mulher a quem se destinavam. Villa Jagdschloss ou Villa Isabelle. Mas muito perto, a alguns quilómetros apenas, em Prora, somos surpreendidos por quilómetros de construção maciça ao longo da praia. São edifícios de seis andares, organizados em U, que se estendem ao longo de um longo areal, mesmo em cima das dunas que dão acesso à praia. Estão manifestamente abandonados e degradados, e a sua presença interroga-nos.
A história: Ruegen terá desempenhado um papel simbólico para os nazis. Nesta ilha isolada, por razões compreensíveis, os nacionais-socialistas tiveram um resultado histórico, quando ganharam as eleições em 1933. Este facto terá contribuído para a ideia de proporem um projecto simbólico e megalómano que se propunha construir em Ruegen uma infra-estrutura gigantesca, para destino de férias dos bons trabalhadores alemães. O projecto foi encomendado ao arquitecto do regime Clemens Klotz e incluía, para além dos blocos habitacionais, diversas infra-estruturas, nomeadamente um enorme recinto para paradas militares. A guerra interrompeu e fez abortar o projecto. Depois da guerra houve, parece, alguma polémica sobre o destino a dar aos edifícios, mas acabaram por ser transformados em quartel militar. Depois da queda do muro a discussão reabriu-se. Até hoje. Hoje resistem como um muro inexpugnável, a guardar o areal e o mar...
|bgcolor(#ffffff):[img[Efemeridade|./wikiImages/schloss.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Efemeridade'', Palácio do Povo, Berlim, Julho 2008^^//}}}}}}
Outra história: em Berlim Oriental havia um edifício emblemático para a DDR. O Palácio do Povo, onde reunia o parlamento, era uma construção moderna, símbolo do grande poder e do orgulho da antiga DDR. Depois da queda do muro abriu-se uma polémica sobre o que fazer ao edifício. A polémica foi acelerada pelo facto do edifício utilizar na construção amianto, que é hoje considerado como cancerígeno. A polémica durou todos estes anos até há pouco tempo se ter decidido demoli-lo para reconstruir no seu lugar um velho castelo que lá teria existido. O Castelo de Berlim. O castelo tinha sido quase integralmente destruído durante e depois dos bombardeamentos da 2ª guerra e os dirigentes da DDR tinham decidido demoli-lo para construir o Palácio do Povo...
|bgcolor(#ffffff):[img[Auto-retrato com arte contemporânea fica sempre bem|./wikiImages/AutoRetratoCulturgest.jpg]]|
//^^©Renato Roque, ''Auto-retrato com arte contemporânea fica sempre bem'', Culturgest, Porto, Fevereiro 2007^^//
Parece que esta semana se comemorou mais um dia mundial da fotografia. Soube que o dia aconteceu através das referências da praxe na comunicação social e pelas notícias nos jornais, relativas aos eventos organizados pelo CPF, ou deverei talvez dizer do que dele vai restando, nesta lenta e triste agonia, que não sei quanto tempo irá durar.
Vergado por tal efeméride, senti-me na obrigação de escrever alguma coisa.
O único comentário que estas "comemorações" me sugerem é chamar a atenção para que independentemente da perspectiva crítica que possamos ter sobre a relação entre a fotografia e a chamada arte contemporânea - e eu tenho-a manifestado muitas vezes aqui, nesta espécie de blog a partir da fotografia - teremos de admitir que a arte contemporânea tem contribuido de uma forma efectiva para sermos capazes de perceber que a fotografia pode ser muita coisa, pode ultrapassar largamente as fronteiras da chamada fotografia jornalística, pode ser mesmo aquilo que quisermos que ela seja, como mais uma forma de expressão, ao serviço de quem a ela quiser recorrer. A fotografia pode ser tanta coisa nova e diferente, surpreendentemente mesmo quando parece apenas repetir-se ou repetir caminhos já trilhados, por outras formas de expressão, mas para neles descobrir inesperadamente novos trajectos e novas propostas.
^^PS - bem sei que nada tem a ver mas, ao escrever o comentário sobre o dia mundial da fotografia, não consegui resistir a comentar o triste espectáculo dos comentadores oficiais e oficiosos da nossa praça pública, reagindo com ardor e indignação às pretensas declarações desprestigiantes de alguns dos nossos atletas olímpicos. Apesar de ter uma opinião crítica sobre o chamado desporto de alta competição, não me consigo calar perante a estupidez desses senhores. Perante os pretensos maus resultados, sobretudo se comparados com o sucesso avassalador que se anunciava, tinha-se de encontrar bodes expiatórios e os bodes expiatórios mais fáceis são sempre os mais fracos, neste caso os atletas. Retiram algumas declarações - algumas feitas a quente - do contexto em que se inseriam e incapazes de compreender o sentido de humor de algumas delas, a frontalidade ingénua e a sinceridade sem rodeios de outras, vindas de pessoas - temos de compreender - que não foram treinadas, e ainda bem, para medir as palavras proferidas perante a comunicação social, onde predominam esses senhores comentadores, sempre à espera do clima dominante no país, para assim decidir se levam os heróis aos ombros ou preparam as pás e picaretas para abrir a cova para os enterrar, bramaram aos céus que era inadmissível tal demonstração de falta de patriotismo e protestaram até contra os subsídios chorudos que esses atletas recebem para (n)os representar. Veremos como todos eles vão ter agora um discurso bem diferente, depois das duas medalhas que no fim Portugal lá conseguiu arrecadar, tal como o triste presidente do Comité Olímpico que depois de se demitir já se diz afinal preparado para mais um mandato. Muito triste.... Esquecem-se(??) de que todos os atletas foram aos jogos por mérito, pois tiveram de conseguir os resultados mínimos. Ninguém os conseguiu por eles. Nenhum foi convocado por estar inscrito no partido, ou por ter lambido as botas ao chefe. Não diria o mesmo de todos os comentadores.
Depois disto tenho primeiro de me regozijar por esses comentários e essas respostas mostrarem que afinal ainda resiste algum do verdadeiro espírito olímpico, onde o desporto é sobretudo festa, onde o desporto é o gozo da competição, depois terei de me entristecer por esses senhores terem sido capazes de "obrigar" o Marco Fortes a pedir desculpas por palavras que apenas traduziam isso mesmo: a brincadeira e o verdadeiro espírito desportivo perante um mau resultado...^^
|bgcolor(#ffffff):[img[Luz de fim de século|./wikiImages/fimseculo.jpg]]|
//^^©Renato Roque, ''Luz de fim de século'', Hiddensee, Alemanha, Julho 2008^^//
Há nas praias do norte da Europa uma luz diferente, uma luz de cinema, uma luz mais luminosa - não, não creio que tal se possa dizer, pois não há luzes mais luminosas, há luzes de alma diferente - uma luz que me faz sempre recordar os filmes de histórias do fim de século, e só agora me apercebo de que entretanto houve outro fim de século, que tendo a esquecer (porque será?), e que me pretendo referir ao final do século XIX, princípio do século XX.
|bgcolor(#ffffff):[img[Objecto na paisagem|./wikiImages/amazone.jpg]]|
{{indent{{{indent{//^^©Renato Roque, ''Objecto na paisagem'', ilha de Ruegen, Alemanha, Julho 2008^^//}}}}}}
Aquilo que vemos, a forma como vemos dependem do que vimos e sentimos antes. Teria eu visto este objecto pousado nesta paisagem e parado propositadamente para o fotografar se no ano passado não tivesse um dia, (por acaso?), decidido iniciar esta série, nesta espécie de de blog, com objectos insólitos pousados na paisagem? Aquilo que vemos varia ao longo do tempo, como se a nossa memória nos levasse pela mão a um patamar mais alto (ou mais baixo), de onde vemos as coisas numa perspectiva diferente.
Lembro-me de há muitos anos, quando descia a Rua da Boavista sentado no 2º andar dos autocarros de dois andares que então existiam, ser atraído por uma sandália de plástico transparente, das que então se usavam, que tinha sido com certeza atirada para cima de uma protecção saliente, da entrada de um dos edifícios situados entre a Praça da República e a Carvalhosa. Durante anos a sandália lá permaneceu e eu via-a, de cada vez que descia a Rua da Boavista de autocarro. Não sei se ainda lá está, pois os autocarros de dois andares desapareceram. Um mistério de qualquer forma: porque me lembro desta história irrelevante? Porque razão aquela imagem da sandália abandonada é tão nítida na minha memória, quando histórias aparentemente muito mais ricas e interessantes, que me contam e que eu vivi, tantas vezes se esfumaram por completo?
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Decidi experimentar uma ferramenta do tipo Wiki, chamada Tiddly Wiki, para desenvolver esta espécie de blog, por me parecer que ela possibilita uma navegação simples e agradável.
A informação está organizada em pequenos pacotes ou ''tiddlers''. A página de entrada contém por defeito os últimos tiddlers, todos os outros podem ser procurados na tabela de busca à direita. Cada tiddler tem associados ''tags'' que permitem a sua fácil procura, por data ou por tipo. Por exemplo todos os pacotes com TAG=2005-08 corresponderão a informação que disponibilizei durante o mês de Agosto de 2005. Todos os pacotes com TAG=Alendouro corresponderão a imagens de ~Trás-os-Montes. Utilizando esta facilidade, (as ~TAGs) ou o mecanismo de //Search//, facilmente se descobrem os pacotes de informação - tiddlers - que se pretendam.
//Se quiserem fazer algum comentário, podem contactar-me por//
[[mail_rroque|mailto:rroque@renatoroque.com]]
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|Name|CoreTweaks|
|Source|http://www.TiddlyTools.com/#CoreTweaks|
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|Author|Eric Shulman - ELS Design Studios|
|License|http://www.TiddlyTools.com/#LegalStatements <<br>>and [[Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.5 License|http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/]]|
|~CoreVersion|2.2|
|Type|plugin|
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|Overrides|replaceSelection, restart, config.macros.edit.handler, Story.prototype.closeTiddler, Story.prototype.refreshTiddler, Slider.prototype.tick |
|Description|a small collection of overrides to TW core functions|
This tiddler contains some quick tweaks and modifications to TW core functions to provide minor changes in standard features or behavior. It is hoped that some of these tweaks may be incorporated into later versions of the TW core, so that these adjustements will be available without needing these add-on definitions.
>''//Note: the changes contained in this tiddler are ONLY applicable for the current release of TiddlyWiki. Please view //[[CoreTweaksArchive]]// for tweaks and modifications that may be used with earlier versions of TiddlyWiki//''
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This tweak adds mouseover handling to the "permaview" button, so that HREF can be automatically set to the correct permaview link. This permits use of browser's right-click menu to "bookmark this link..." (or similar).
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// // }}}
// // {{groupbox small{
// // This tweak adds URL paramifier handlers for "hide:elementID" and "show:elementID". This is useful for forcing the display state of specific TW page elements, without requiring StyleSheet changes. For example, if your customized StyleSheet hides the sidebar (useful for 'read only' published documents), you can force it to display when you need to edit the document by adding {{{#show:sidebar}}} to the document URL. Alternatively, you might want to supress non-tiddler content when printing by hiding the sidebars and header (e.g., {{{#hide:mainMenu hide:sidebar hide:header}}})
//{{{
if (config.paramifiers) { // check for backward-compatibility
config.paramifiers.hide = { onstart: function(id) { var e=document.getElementById(id); if (e) e.style.display="none"; } };
config.paramifiers.show = { onstart: function(id) { var e=document.getElementById(id); if (e) e.style.display="block"; } };
}
//}}}
// // }}}
// // {{groupbox small{
// // This HIJACK tweak pre-processes source content to convert "double-backslash-newline" into {{{<br>}}} before wikify(), so that literal newlines can be embedded in line-mode wiki syntax (e.g., tables, bullets, etc.). Based on a suggestion from Sitaram Chamarty.
//{{{
window.coreWikify = wikify;
window.wikify = function(source,output,highlightRegExp,tiddler)
{
if (source) arguments[0]=source.replace(/\\\\\n/mg,"<br>");
coreWikify.apply(this,arguments);
}
//}}}
/***
|''Name:''|CryptoFunctionsPlugin|
|''Description:''|Support for cryptographic functions|
***/
//{{{
if(!version.extensions.CryptoFunctionsPlugin) {
version.extensions.CryptoFunctionsPlugin = {installed:true};
//--
//-- Crypto functions and associated conversion routines
//--
// Crypto "namespace"
function Crypto() {}
// Convert a string to an array of big-endian 32-bit words
Crypto.strToBe32s = function(str)
{
var be = Array();
var len = Math.floor(str.length/4);
var i, j;
for(i=0, j=0; i<len; i++, j+=4) {
be[i] = ((str.charCodeAt(j)&0xff) << 24)|((str.charCodeAt(j+1)&0xff) << 16)|((str.charCodeAt(j+2)&0xff) << 8)|(str.charCodeAt(j+3)&0xff);
}
while (j<str.length) {
be[j>>2] |= (str.charCodeAt(j)&0xff)<<(24-(j*8)%32);
j++;
}
return be;
};
// Convert an array of big-endian 32-bit words to a string
Crypto.be32sToStr = function(be)
{
var str = "";
for(var i=0;i<be.length*32;i+=8)
str += String.fromCharCode((be[i>>5]>>>(24-i%32)) & 0xff);
return str;
};
// Convert an array of big-endian 32-bit words to a hex string
Crypto.be32sToHex = function(be)
{
var hex = "0123456789ABCDEF";
var str = "";
for(var i=0;i<be.length*4;i++)
str += hex.charAt((be[i>>2]>>((3-i%4)*8+4))&0xF) + hex.charAt((be[i>>2]>>((3-i%4)*8))&0xF);
return str;
};
// Return, in hex, the SHA-1 hash of a string
Crypto.hexSha1Str = function(str)
{
return Crypto.be32sToHex(Crypto.sha1Str(str));
};
// Return the SHA-1 hash of a string
Crypto.sha1Str = function(str)
{
return Crypto.sha1(Crypto.strToBe32s(str),str.length);
};
// Calculate the SHA-1 hash of an array of blen bytes of big-endian 32-bit words
Crypto.sha1 = function(x,blen)
{
// Add 32-bit integers, wrapping at 32 bits
add32 = function(a,b)
{
var lsw = (a&0xFFFF)+(b&0xFFFF);
var msw = (a>>16)+(b>>16)+(lsw>>16);
return (msw<<16)|(lsw&0xFFFF);
};
// Add five 32-bit integers, wrapping at 32 bits
add32x5 = function(a,b,c,d,e)
{
var lsw = (a&0xFFFF)+(b&0xFFFF)+(c&0xFFFF)+(d&0xFFFF)+(e&0xFFFF);
var msw = (a>>16)+(b>>16)+(c>>16)+(d>>16)+(e>>16)+(lsw>>16);
return (msw<<16)|(lsw&0xFFFF);
};
// Bitwise rotate left a 32-bit integer by 1 bit
rol32 = function(n)
{
return (n>>>31)|(n<<1);
};
var len = blen*8;
// Append padding so length in bits is 448 mod 512
x[len>>5] |= 0x80 << (24-len%32);
// Append length
x[((len+64>>9)<<4)+15] = len;
var w = Array(80);
var k1 = 0x5A827999;
var k2 = 0x6ED9EBA1;
var k3 = 0x8F1BBCDC;
var k4 = 0xCA62C1D6;
var h0 = 0x67452301;
var h1 = 0xEFCDAB89;
var h2 = 0x98BADCFE;
var h3 = 0x10325476;
var h4 = 0xC3D2E1F0;
for(var i=0;i<x.length;i+=16) {
var j,t;
var a = h0;
var b = h1;
var c = h2;
var d = h3;
var e = h4;
for(j = 0;j<16;j++) {
w[j] = x[i+j];
t = add32x5(e,(a>>>27)|(a<<5),d^(b&(c^d)),w[j],k1);
e=d; d=c; c=(b>>>2)|(b<<30); b=a; a = t;
}
for(j=16;j<20;j++) {
w[j] = rol32(w[j-3]^w[j-8]^w[j-14]^w[j-16]);
t = add32x5(e,(a>>>27)|(a<<5),d^(b&(c^d)),w[j],k1);
e=d; d=c; c=(b>>>2)|(b<<30); b=a; a = t;
}
for(j=20;j<40;j++) {
w[j] = rol32(w[j-3]^w[j-8]^w[j-14]^w[j-16]);
t = add32x5(e,(a>>>27)|(a<<5),b^c^d,w[j],k2);
e=d; d=c; c=(b>>>2)|(b<<30); b=a; a = t;
}
for(j=40;j<60;j++) {
w[j] = rol32(w[j-3]^w[j-8]^w[j-14]^w[j-16]);
t = add32x5(e,(a>>>27)|(a<<5),(b&c)|(d&(b|c)),w[j],k3);
e=d; d=c; c=(b>>>2)|(b<<30); b=a; a = t;
}
for(j=60;j<80;j++) {
w[j] = rol32(w[j-3]^w[j-8]^w[j-14]^w[j-16]);
t = add32x5(e,(a>>>27)|(a<<5),b^c^d,w[j],k4);
e=d; d=c; c=(b>>>2)|(b<<30); b=a; a = t;
}
h0 = add32(h0,a);
h1 = add32(h1,b);
h2 = add32(h2,c);
h3 = add32(h3,d);
h4 = add32(h4,e);
}
return Array(h0,h1,h2,h3,h4);
};
}
//}}}
Cumplescritas é um projecto que iniciei nesta espécie de blog a partir de fotografia. É um projecto para o qual convidei amigos, quase todos [[cúmplices referenciados|http://www.renatoroque.com/rroque/cumplices.htm]] de há muito para todo o tipo de banditagens foto-poéticas. Todos aceitaram enviar um pequeno texto para acompanhar uma fotografia.
É um projecto sem prazo, sem plano, que vai ser desenvolvido à medida das respostas que receber.
A lista ao lado reúne as contribuições que já recebi.
[[Introdução]] [[2008-08 - Luz de fim de século]] [[2008-08 - Dia Mundial da Fotografia]] [[2008-08 - Objecto pousado na paisagem XVI]] [[2008-07 - Nem sempre o corpo se parece com um bosque]] [[2008-07 - Peter Pan]] [[2008-07 - Objecto não pousado na paisagem XV]] [[2008-07 - Tudo é efémero]] [[2008-07 - Neste país de névoa e de não-ser]] [[2008-07 - Transparência]] [[2008-06 - Arte é 2]] [[2008-05 - Arte é]] [[2008-05 - Tudo, tudo a cinquenta]] [[2008-05 - A bicicleta]] [[2008-04 - Para ti criarei um dia puro]] [[2008-04 - Primavera 2008]] [[2008-04 - Aritmética da vida]] [[2008-04 - O futuro]] [[2008-04 - O poema habitará...]]
/***
|''Name:''|DeprecatedFunctionsPlugin|
|''Description:''|Support for deprecated functions removed from core|
***/
//{{{
if(!version.extensions.DeprecatedFunctionsPlugin) {
version.extensions.DeprecatedFunctionsPlugin = {installed:true};
//--
//-- Deprecated code
//--
// @Deprecated: Use createElementAndWikify and this.termRegExp instead
config.formatterHelpers.charFormatHelper = function(w)
{
w.subWikify(createTiddlyElement(w.output,this.element),this.terminator);
};
// @Deprecated: Use enclosedTextHelper and this.lookaheadRegExp instead
config.formatterHelpers.monospacedByLineHelper = function(w)
{
var lookaheadRegExp = new RegExp(this.lookahead,"mg");
lookaheadRegExp.lastIndex = w.matchStart;
var lookaheadMatch = lookaheadRegExp.exec(w.source);
if(lookaheadMatch && lookaheadMatch.index == w.matchStart) {
var text = lookaheadMatch[1];
if(config.browser.isIE)
text = text.replace(/\n/g,"\r");
createTiddlyElement(w.output,"pre",null,null,text);
w.nextMatch = lookaheadRegExp.lastIndex;
}
};
// @Deprecated: Use <br> or <br /> instead of <<br>>
config.macros.br = {};
config.macros.br.handler = function(place)
{
createTiddlyElement(place,"br");
};
// Find an entry in an array. Returns the array index or null
// @Deprecated: Use indexOf instead
Array.prototype.find = function(item)
{
var i = this.indexOf(item);
return i == -1 ? null : i;
};
// Load a tiddler from an HTML DIV. The caller should make sure to later call Tiddler.changed()
// @Deprecated: Use store.getLoader().internalizeTiddler instead
Tiddler.prototype.loadFromDiv = function(divRef,title)
{
return store.getLoader().internalizeTiddler(store,this,title,divRef);
};
// Format the text for storage in an HTML DIV
// @Deprecated Use store.getSaver().externalizeTiddler instead.
Tiddler.prototype.saveToDiv = function()
{
return store.getSaver().externalizeTiddler(store,this);
};
// @Deprecated: Use store.allTiddlersAsHtml() instead
function allTiddlersAsHtml()
{
return store.allTiddlersAsHtml();
}
// @Deprecated: Use refreshPageTemplate instead
function applyPageTemplate(title)
{
refreshPageTemplate(title);
}
// @Deprecated: Use story.displayTiddlers instead
function displayTiddlers(srcElement,titles,template,unused1,unused2,animate,unused3)
{
story.displayTiddlers(srcElement,titles,template,animate);
}
// @Deprecated: Use story.displayTiddler instead
function displayTiddler(srcElement,title,template,unused1,unused2,animate,unused3)
{
story.displayTiddler(srcElement,title,template,animate);
}
// @Deprecated: Use functions on right hand side directly instead
var createTiddlerPopup = Popup.create;
var scrollToTiddlerPopup = Popup.show;
var hideTiddlerPopup = Popup.remove;
// @Deprecated: Use right hand side directly instead
var regexpBackSlashEn = new RegExp("\\\\n","mg");
var regexpBackSlash = new RegExp("\\\\","mg");
var regexpBackSlashEss = new RegExp("\\\\s","mg");
var regexpNewLine = new RegExp("\n","mg");
var regexpCarriageReturn = new RegExp("\r","mg");
}
//}}}
<!--{{{-->
<div class='toolbar' macro='toolbar +saveTiddler -cancelTiddler deleteTiddler'></div>
<br>
<div class='title' macro='view title'></div>
<div class='editor' macro='edit title'></div>
<div macro='annotations'></div>
<div class='editor' macro='edit text'></div>
<div class='editor' macro='edit tags'></div><div class='editorFooter'><span macro='message views.editor.tagPrompt'></span><span macro='tagChooser'></span></div>
<!--}}}-->
/***
|Name|GotoPlugin|
|Source|http://www.TiddlyTools.com/#GotoPlugin|
|Version|1.4.0|
|Author|Eric Shulman - ELS Design Studios|
|License|http://www.TiddlyTools.com/#LegalStatements <<br>>and [[Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.5 License|http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/]]|
|~CoreVersion|2.1|
|Type|plugin|
|Requires||
|Overrides||
|Description|view any tiddler by entering it's title - displays list of possible matches|
''View a tiddler by typing its title and pressing //enter//.'' Input just enough to uniquely match a single tiddler title and ''press //enter// to auto-complete the title for you!!'' If multiple titles match your input, a list is displayed. You can scroll-and-click (or use arrows+enter) to select/view a tiddler, or press //escape// to close the listbox to resume typing. When the listbox is ''//not//'' being displayed, press //escape// to clear the current text input and start over.
Note: ''At any time, you can move the focus directly to the text input field by using the ~ALT-G keyboard shortcut.''
!!!!!Examples
<<<
| //IMPORTANT NOTE:// ''As of version 1.4.0 (2007.04.25), the {{{<<goto>>}}} macro has been renamed to {{{<<gotoTiddler>>}}}'' |
syntax: {{{<<gotoTiddler quiet insert inputstyle liststyle>>}}}
All parameters are optional.
* ''quiet'' prevents //automatic// display of the list as each character is typed. To view the list when ''quiet'', use //down// or //enter//.
* ''insert'' causes the selected tiddler title to be inserted into the tiddler source currently being edited (use with EditTemplate)
* ''inputstyle'' and ''liststyle'' are CSS declarations that modify the default input and listbox styles. Note: styles containing spaces must be surrounded by ({{{"..."}}} or {{{'...'}}}) or ({{{[[...]]}}}).
{{{<<gotoTiddler>>}}}
<<gotoTiddler>>
{{{<<gotoTiddler quiet>>}}}
<<gotoTiddler quiet>>
{{{<<goto width:20em width:20em>>}}}
<<gotoTiddler width:20em width:20em>>
You can also invoke the macro with the "insert" keyword. When used in the [[EditTemplate]], like this:
{{{
<span macro="gotoTiddler insert"></span>
}}}
it allows you to type/select a tiddler title, and instantly insert a link to that title (e.g. {{{[[TiddlerName]]}}}) into the tiddler source being edited.
<<<
!!!!!Configuration
<<<
The following ~TiddlyWiki search options (see AdvancedOptions) are applied when matching tiddler titles:
><<option chkRegExpSearch>> use regular expressions (text patterns)
><<option chkCaseSensitiveSearch>> use case sensitive matching
You can also create a tiddler tagged with <<tag systemConfig>> to control listing of tiddlers/shadows/tags, as well as the maximum height of the listbox. //The default values are shown below://
//{{{
config.macros.gotoTiddler.includeTiddlers=true;
config.macros.gotoTiddler.includeShadows=true;
config.macros.gotoTiddler.includeTags=true;
config.macros.gotoTiddler.listMaxSize=10;
//}}}
<<<
!!!!!Installation
<<<
import (or copy/paste) the following tiddlers into your document:
''GotoPlugin'' (tagged with <<tag systemConfig>>)
<<<
!!!!!Revisions
<<<
''2007.04.25 [1.4.0]'' renamed macro from "goto" to "gotoTiddler". This was necessary to avoid a fatal syntax error in Opera (and other browsers) that require strict adherence to ECMAScript 1.5 standards which defines the identifier "goto" as "reserved for FUTURE USE"... *sigh*
''2007.04.21 [1.3.2]'' in html definition, removed DIV around droplist (see 1.2.6 below). It created more layout problems then it solved. :-(
''2007.04.01 [1.3.1]'' in processItem(), ensure that correct textarea field is found by checking for edit=="text" attribute
''2007.03.30 [1.3.0]'' tweak SideBarOptions shadow to automatically add {{{<<goto>>}}} when using default sidebar content
''2007.03.30 [1.2.6]'' in html definition, added DIV around droplist to fix IE problem where list appears next to input field instead of below it.
''2007.03.28 [1.2.5]'' in processItem(), set focus to text area before setting selection (needed for IE to get correct selection 'range')
''2007.03.28 [1.2.4]'' added prompt for 'pretty text' when inserting a link into tiddler content
''2007.03.28 [1.2.3]'' added local copy of core replaceSelection() and modified for different replace logic
''2007.03.27 [1.2.2]'' in processItem(), use story.getTiddlerField() to retrieve textarea control
''2007.03.26 [1.2.1]'' in html, use either 'onkeydown' (IE) or 'onkeypress' (Moz) event to process <esc> key sooner, to prevent <esc> from 'bubbling up' to the tiddler (which will close the current editor).
''2007.03.26 [1.2.0]'' added support for optional "insert" keyword param. When used in [[EditTemplate]], (e.g. {{{<span macro="goto insert"></span>}}}) it triggers alternative processing: instead of displaying the selected tiddler, that tiddler's title is inserted into a tiddler's textarea edit field surrounded by {{{[[...]]}}}.
''2006.05.10 [1.1.2]'' when filling listbox, set selection to 'heading' item... auto-select first tiddler title when down/enter moves focus into listbox
''2006.05.08 [1.1.1]'' added accesskey ("G") to input field html (also set when field gets focus). Also, inputKeyHandler() skips non-printing/non-editing keys.
''2006.05.08 [1.1.0]'' added heading to listbox for better feedback (also avoids problems with 1-line droplist)
''2006.05.07 [1.0.0]'' list matches against tiddlers/shadows/tags. input field auto-completion... 1st enter=complete matching input (or show list)... 2nd enter=view tiddler. optional "quiet" param controls when listbox appears.
''2006.05.06 [0.5.0]'' added handling for enter (13), escape(27), and down(40) keys. Change 'ondblclick' to 'onclick' for list handler to view tiddlers (suggested by Florian Cauvin - prevents unintended trigger of tiddler editor). shadow titles inserted into list instead of appended to the end.
''2006.05.05 [0.0.0]'' started
<<<
!!!!!Credits
>This feature was developed by EricShulman from [[ELS Design Studios|http:/www.elsdesign.com]]
!!!!!Code
***/
//{{{
version.extensions.gotoTiddler = {major: 1, minor: 4, revision: 0, date: new Date(2007,4,25)};
// automatically tweak shadow SideBarOptions to add "sendTiddler" toolbar command (following "editTiddler")
config.shadowTiddlers.SideBarOptions=config.shadowTiddlers.SideBarOptions.replace(/<<search>>/,"{{button{goto}}}\n<<gotoTiddler>><<search>>");
config.macros.gotoTiddler= {
handler:
function(place,macroName,params) {
var quiet=(params[0] && params[0]=="quiet"); if (quiet) params.shift();
var insert=(params[0] && params[0]=="insert"); if (insert) params.shift();
var instyle=params.shift(); if (!instyle) instyle="";
var liststyle=params.shift(); if (!liststyle) liststyle="";
var keyevent=window.event?"onkeydown":"onkeypress";
createTiddlyElement(place,"span").innerHTML
=this.html.replace(/%keyevent%/g,keyevent).replace(/%insert%/g,insert).replace(/%quiet%/g,quiet).replace(/%instyle%/g,instyle).replace(/%liststyle%/g,liststyle);
},
html:
'<form onsubmit="return false" style="display:inline;margin:0;padding:0">\
<input name=gotoTiddler type=text autocomplete="off" accesskey="G" style="%instyle%"\
title="enter a tiddler title"\
onfocus="this.select(); this.setAttribute(\'accesskey\',\'G\');"\
%keyevent%="return config.macros.gotoTiddler.inputEscKeyHandler(event,this,this.form.list);"\
onkeyup="return config.macros.gotoTiddler.inputKeyHandler(event,this,this.form.list,%quiet%,%insert%);">\
<select name=list style="%liststyle%;display:none;position:absolute"\
onchange="if (!this.selectedIndex) this.selectedIndex=1;"\
onblur="this.style.display=\'none\';"\
%keyevent%="return config.macros.gotoTiddler.selectKeyHandler(event,this,this.form.gotoTiddler,%insert%);"\
onclick="return config.macros.gotoTiddler.processItem(this.value,this.form.gotoTiddler,this,%insert%);">\
</select>\
</form>',
getItems:
function() {
var items=[];
var tiddlers=store.reverseLookup("tags","excludeSearch",false,"title");
if (this.includeTiddlers) for(var t=0; t<tiddlers.length; t++) items.push(tiddlers[t].title);
if (this.includeShadows) for (var t in config.shadowTiddlers) items.pushUnique(t);
if (this.includeTags) { var tags=store.getTags(); for(var t=0; t<tags.length; t++) items.pushUnique(tags[t][0]); }
return items;
},
includeTiddlers: true, includeShadows: true, includeTags: true,
getItemSuffix:
function(t) {
if (store.tiddlerExists(t)) return ""; // tiddler
if (store.isShadowTiddler(t)) return " (shadow)"; // shadow
return " (tag)"; // tag
},
keyProcessed:
function(ev) { // utility function: exits handler and prevents browser from processing the keystroke
ev.cancelBubble=true; // IE4+
try{event.keyCode=0;}catch(e){}; // IE5
if (window.event) ev.returnValue=false; // IE6
if (ev.preventDefault) ev.preventDefault(); // moz/opera/konqueror
if (ev.stopPropagation) ev.stopPropagation(); // all
return false;
},
inputEscKeyHandler:
function(event,here,list) {
var key=event.keyCode;
// escape... hide list (2nd esc=clears input)
if (key==27) {
if (list.style.display=="none")
here.value=here.defaultValue;
list.style.display="none";
return this.keyProcessed(event);
}
return true; // key bubbles up
},
inputKeyHandler:
function(event,here,list,quiet,insert) {
var key=event.keyCode;
// non-printing chars... bubble up, except: backspace=8, enter=13, space=32, down=40, delete=46
if (key<48) switch(key) { case 8: case 13: case 32: case 40: case 46: break; default: return true; }
// blank input... if down/enter... fall through (list all)... else, hide list
if (!here.value.length && !(key==40 || key==13))
{ list.style.display="none"; return this.keyProcessed(event); }
// find matching items...
var pattern=config.options.chkRegExpSearch?here.value:here.value.escapeRegExp();
var re=new RegExp(pattern,config.options.chkCaseSensitiveSearch?"mg":"img");
var found = []; var items=this.getItems();
for(var t=0; t<items.length; t++) if(items[t].search(re)!=-1) found.push(items[t]);
// matched one item... enter... not *exact* match... autocomplete input field
if (found.length==1 && quiet && key==13 && here.value!=found[0])
{ list.style.display="none"; here.value=found[0]; return this.keyProcessed(event); }
// no match/exact match... enter... create/show it
if (found.length<2 && key==13)
return this.processItem(found.length?found[0]:here.value,here,list,insert);
// quiet/no match... hide list...
list.style.display=(!quiet && found.length)?"block":"none";
// no matches... key bubbles up
if (!found.length) return true;
// down/enter... show/move to list...
if (key==40 || key==13) { list.style.display="block"; list.focus(); }
// list is showing... fill list...
if (list.style.display!="none") {
while (list.length > 0) list.options[0]=null; // clear list...
found.sort();
list.options[0]=new Option(found.length==1?this.listMatchMsg:this.listHeading.format([found.length]),"",false,false);
for (var t=0; t<found.length; t++) // fill list...
list.options[t+1]=new Option(found[t]+this.getItemSuffix(found[t]),found[t],false,false);
list.size=(found.length<this.listMaxSize?found.length:this.listMaxSize)+1; // resize list...
list.selectedIndex=(key==40 || key==13)?1:0;
}
return true; // key bubbles up
},
listMaxSize: 10,
listHeading: 'Found %0 matching titles:',
listMatchMsg: 'Press enter to open tiddler...',
selectKeyHandler:
function(event,list,editfield,insert) {
if (event.keyCode==27) // escape... hide list, move to edit field
{ editfield.focus(); list.style.display="none"; return this.keyProcessed(event); }
if (event.keyCode==13 && list.value.length) // enter... view selected item
{ this.processItem(list.value,editfield,list,insert); return this.keyProcessed(event); }
return true; // key bubbles up
},
askForText: "Enter the text to display for this link",
processItem:
function(title,here,list,insert) {
if (!title.length) return; here.value=title; list.style.display='none';
if (insert) {
var tidElem=story.findContainingTiddler(here); if (!tidElem) { here.focus(); return false; }
var e=story.getTiddlerField(tidElem.getAttribute("tiddler"),"text");
if (!e||e.getAttribute("edit")!="text") return false;
var txt=prompt(this.askForText,title); if (!txt||!txt.length) { here.focus(); return false; }
e.focus(); // put focus on target field before setting selection
this.replaceSelection(e,"[["+txt+"|"+title+"]]"); // insert selected tiddler as a PrettyLink
}
else
story.displayTiddler(null,title); // show selected tiddler
return false;
},
replaceSelection:
function (e,text) { // copied from 2.1.3 core and then tweaked
if (e.setSelectionRange) {
var oldpos = e.selectionStart;
var isRange=e.selectionEnd-e.selectionStart;
e.value = e.value.substr(0,e.selectionStart) + text + e.value.substr(e.selectionEnd);
e.setSelectionRange( isRange?oldpos:oldpos+text.length, oldpos+text.length);
var linecount = e.value.split('\n').length;
var thisline = e.value.substr(0,e.selectionStart).split('\n').length-1;
e.scrollTop = Math.floor((thisline-e.rows/2)*e.scrollHeight/linecount);
}
else if (document.selection) {
var range = document.selection.createRange();
if (range.parentElement() == e) {
var isCollapsed = range.text == "";
range.text = text;
if (!isCollapsed) {
range.moveStart('character', -text.length);
range.select();
}
}
}
}
}
//}}}
/***
|Name|HaloscanMacro|
|Created by|JimSpeth|
|Location|http://end.com/~speth/HaloscanMacro.html|
|Version|1.1.0|
|Requires|~TW2.x|
!Description
Comment and trackback support for TiddlyWiki (via Haloscan).
!History
* 16-Feb-06, version 1.1.0, drastic changes, now uses settings from haloscan account config
* 31-Jan-06, version 1.0.1, fixed display of counts for default tiddlers
* 30-Jan-06, version 1.0, initial release
!Examples
|!Source|!Output|h
|{{{<<haloscan comments>>}}}|<<haloscan comments>>|
|{{{<<haloscan trackbacks>>}}}|<<haloscan trackbacks>>|
!Installation
Register for a [[Haloscan|http://www.haloscan.com]] account. It's free and painless.
Install the HaloscanMacro in a new tiddler with a tag of systemConfig (save and reload to activate).
In the macro configuration code (below), change //YourName// to your Haloscan account name.
Use the macro somewhere in a tiddler (see ViewTemplate for an example).
!Settings
You can adjust various options for your account in the member configuration area of Haloscan's web site. The macro will use these settings when formatting the links.
!Code
***/
//{{{
/* change "YourName" to your Haloscan account name */
config.macros.haloscan = {account: "rroque", baseURL: "http://www.haloscan.com/load/"};
var haloscanLoaded = 0;
config.macros.haloscan.load = function ()
{
if (haloscanLoaded == 1)
return;
account = config.macros.haloscan.account;
if (!account || (account == "YourName"))
account = store.getTiddlerText("SiteTitle");
var el = document.createElement('script');
el.language = 'JavaScript';
el.type = 'text/javascript';
el.src = config.macros.haloscan.baseURL + account;
document.documentElement.childNodes[0].appendChild(el);
haloscanLoaded = 1;
}
config.macros.haloscan.load();
/* this totally clobbers document.write, i hope that's ok */
var safeWrite = function(s)
{
document.written = s;
return s;
};
document.write = safeWrite;
config.macros.haloscan.refreshDefaultTiddlers = function ()
{
var start = store.getTiddlerText("DefaultTiddlers");
if (start)
{
var titles = start.readBracketedList();
for (var t=titles.length-1; t>=0; t--)
story.refreshTiddler(titles[t], DEFAULT_VIEW_TEMPLATE, 1);
}
}
var haloscanRefreshed = 0;
config.macros.haloscan.handler = function (place, macroName, params, wikifier, paramString, tiddler)
{
if (typeof HaloScan == 'undefined')
{
if (haloscanRefreshed == 0)
{
setTimeout("config.macros.haloscan.refreshDefaultTiddlers()", 1);
haloscanRefreshed = 1;
}
return;
}
var id = story.findContainingTiddler(place).id.substr(7);
var hs_search = new RegExp('\\W','gi');
id = id.replace(hs_search,"_");
account = config.macros.haloscan.account;
if (!account || (account == "YourName"))
account = store.getTiddlerText("SiteTitle");
var haloscanError = function (msg)
{
createTiddlyError(place, config.messages.macroError.format(["HaloscanMacro"]), config.messages.macroErrorDetails.format(["HaloscanMacro", msg]));
}
if (params.length == 1)
{
if (params[0] == "comments")
{
postCount(id);
commentsLabel = document.written;
commentsPrompt = "Comentários sobre este tiddler";
var commentsHandler = function(e) { HaloScan(id); return false; };
var commentsButton = createTiddlyButton(place, commentsLabel, commentsPrompt, commentsHandler);
}
else if (params[0] == "trackbacks")
{
postCountTB(id);
trackbacksLabel = document.written;
trackbacksPrompt = "Trackbacks for this tiddler";
var trackbacksHandler = function(e) { HaloScanTB(id); return false; };
var trackbackButton = createTiddlyButton(place, trackbacksLabel, trackbacksPrompt, trackbacksHandler);
}
else
haloscanError("unknown parameter: " + params[0]);
}
else if (params.length == 0)
haloscanError("missing parameter");
else
haloscanError("bad parameter count");
}
//}}}
<<include "index_Ano_2005_2006.htm">>
<<include "index_Ano_2007.htm">>
/***
|''Name:''|abego.IncludePlugin|
|''Version:''|1.0.1 (2007-04-30)|
|''Type:''|plugin|
|''Source:''|http://tiddlywiki.abego-software.de/#IncludePlugin|
|''Author:''|Udo Borkowski (ub [at] abego-software [dot] de)|
|''Documentation:''|[[IncludePlugin Documentation|http://tiddlywiki.abego-software.de/#%5B%5BIncludePlugin%20Documentation%5D%5D]]|
|''Community:''|([[del.icio.us|http://del.icio.us/post?url=http://tiddlywiki.abego-software.de/index.html%23IncludePlugin]]) ([[Support|http://groups.google.com/group/TiddlyWiki]])|
|''Copyright:''|© 2007 [[abego Software|http://www.abego-software.de]]|
|''Licence:''|[[BSD open source license (abego Software)|http://www.abego-software.de/legal/apl-v10.html]]|
|''~CoreVersion:''|2.1.3|
|''Browser:''|Firefox 1.5.0.9 or better; Internet Explorer 6.0|
***/
/***
This plugin's source code is compressed (and hidden). Use this [[link|http://tiddlywiki.abego-software.de/archive/IncludePlugin/Plugin-Include-src.1.0.0.js]] to get the readable source code.
***/
///%
if(!window.abego){window.abego={};}var invokeLater=function(_1,_2,_3){return abego.invokeLater?abego.invokeLater(_1,_2,_3):setTimeout(_1,_2);};abego.loadFile=function(_4,_5,_6){var _7=function(_8,_9,_a,_b,_c){return _8?_5(_a,_b,_9):_5(undefined,_b,_9,"Error loading %0".format([_b]));};if(_4.search(/^((http(s)?)|(file)):/)!=0){if(_4.search(/^((.\:\\)|(\\\\)|(\/))/)==0){_4="file://"+_4;}else{var _d=document.location.toString();var i=_d.lastIndexOf("/");_4=_d.substr(0,i+1)+_4;}_4=_4.replace(/\\/mg,"/");}loadRemoteFile(_4,_7,_6);};abego.loadTiddlyWikiStore=function(_f,_10,_11,_12){var _13=function(_14,_15){if(_12){_12(_14,"abego.loadTiddlyWikiStore",_15,_f,_11);}};var _16=function(_17,_18){var _19=_18.indexOf(startSaveArea);var _1a=_18.indexOf("<!--POST-BODY-END--"+">");var _1b=_18.lastIndexOf(endSaveArea,_1a==-1?_18.length:_1a);if((_19==-1)||(_1b==-1)){return config.messages.invalidFileError.format([_f]);}var _1c="<html><body>"+_18.substring(_19,_1b+endSaveArea.length)+"</body></html>";var _1d=document.createElement("iframe");_1d.style.display="none";document.body.appendChild(_1d);var doc=_1d.document;if(_1d.contentDocument){doc=_1d.contentDocument;}else{if(_1d.contentWindow){doc=_1d.contentWindow.document;}}doc.open();doc.writeln(_1c);doc.close();var _1f=doc.getElementById("storeArea");_17.loadFromDiv(_1f,"store");_1d.parentNode.removeChild(_1d);return null;};var _20=function(_21){_13("Error when loading %0".format([_f]),"Failed");_10(undefined,_f,_11,_21);return _21;};var _22=function(_23){_13("Loaded %0".format([_f]),"Done");_10(_23,_f,_11);return null;};var _24=function(_25,_26,_27,_28){if(_25===undefined){_20(_28);return;}_13("Processing %0".format([_f]),"Processing");var _29=config.messages.invalidFileError;config.messages.invalidFileError="The file '%0' does not appear to be a valid TiddlyWiki file";try{var _2a=new TiddlyWiki();var _2b=_16(_2a,_25);if(_2b){_20(_2b);}else{_22(_2a);}}catch(ex){_20(exceptionText(ex));}finally{config.messages.invalidFileError=_29;}};_13("Start loading %0".format([_f]),"Started");abego.loadFile(_f,_24,_11);};(function(){if(abego.TiddlyWikiIncluder){return;}var _2c="waiting";var _2d="loading";var _2e=1000;var _2f=-200;var _30=-100;var _31=-300;var _32;var _33=[];var _34={};var _35=[];var _36;var _37=[];var _38;var _39=function(){if(_32===undefined){_32=config.options.chkUseInclude===undefined||config.options.chkUseInclude;}return _32;};var _3a=function(url){return "No include specified for %0".format([url]);};var _3c=function(){var _3d=_35;_35=[];if(_3d.length){for(var i=0;i<_37.length;i++){_37[i](_3d);}}};var _3f;var _40=function(){if(_36!==undefined){clearInterval(_36);}_3f=0;var _41=function(){abego.TiddlyWikiIncluder.sendProgress("","","Done");};_36=setInterval(function(){_3f++;if(_3f<=10){return;}clearInterval(_36);_36=undefined;abego.TiddlyWikiIncluder.sendProgress("Refreshing...","","");refreshDisplay();invokeLater(_41,0,_2f);},1);};var _42=function(_43){var _44;for(var i=0;i<_33.length;i++){var _46=abego.TiddlyWikiIncluder.getStore(_33[i]);if(_46&&(_44=_43(_46,_33[i]))){return _44;}}};var _47=function(){if(!window.store){return invokeLater(_47,100);}var _48=store.fetchTiddler;store.fetchTiddler=function(_49){var t=_48.apply(this,arguments);if(t){return t;}if(config.shadowTiddlers[_49]!==undefined){return undefined;}if(_49==config.macros.newTiddler.title){return undefined;}return _42(function(_4b,url){var t=_4b.fetchTiddler(_49);if(t){t.includeURL=url;}return t;});};if(_33.length){_40();}};var _4e=function(){if(!window.store){return invokeLater(_4e,100);}var _4f=store.getTiddlerText("IncludeList");if(_4f){wikify(_4f,document.createElement("div"));}};var _50=function(_51){var _52=function(){var _53=store.forEachTiddler;var _54=function(_55){var _56={};var _57;var _58=function(_59,_5a){if(_56[_59]){return;}_56[_59]=1;if(_57){_5a.includeURL=_57;}_55.apply(this,arguments);};_53.call(store,_58);for(var n in config.shadowTiddlers){_56[n]=1;}_56[config.macros.newTiddler.title]=1;_42(function(_5c,url){_57=url;_5c.forEachTiddler(_58);});};store.forEachTiddler=_54;try{return _51.apply(this,arguments);}finally{store.forEachTiddler=_53;}};return _52;};var _5e=function(_5f,_60){return _5f[_60]=_50(_5f[_60]);};abego.TiddlyWikiIncluder={};abego.TiddlyWikiIncluder.setProgressFunction=function(_61){_38=_61;};abego.TiddlyWikiIncluder.getProgressFunction=function(_62){return _38;};abego.TiddlyWikiIncluder.sendProgress=function(_63,_64,_65){if(_38){_38.apply(this,arguments);}};abego.TiddlyWikiIncluder.onError=function(url,_67){displayMessage("Error when including '%0':\n%1".format([url,_67]));};abego.TiddlyWikiIncluder.hasPendingIncludes=function(){for(var i=0;i<_33.length;i++){var _69=abego.TiddlyWikiIncluder.getState(_33[i]);if(_69==_2c||_69==_2d){return true;}}return false;};abego.TiddlyWikiIncluder.getIncludes=function(){return _33.slice();};abego.TiddlyWikiIncluder.getState=function(url){var s=_34[url];if(!s){return _3a(url);}return typeof s=="string"?s:null;};abego.TiddlyWikiIncluder.getStore=function(url){var s=_34[url];if(!s){return _3a(url);}return s instanceof TiddlyWiki?s:null;};abego.TiddlyWikiIncluder.include=function(url,_6f){if(!_39()||_34[url]){return;}var _70=this;_33.push(url);_34[url]=_2c;var _71=function(_72,_73,_74,_75){if(_72===undefined){_34[url]=_75;_70.onError(url,_75);return;}_34[url]=_72;_35.push(url);invokeLater(_3c);};var _76=function(){_34[url]=_2d;abego.loadTiddlyWikiStore(url,_71,null,_38);};if(_6f){invokeLater(_76,_6f);}else{_76();}};abego.TiddlyWikiIncluder.forReallyEachTiddler=function(_77){var _78=function(){store.forEachTiddler(_77);};_50(_78).call(store);};abego.TiddlyWikiIncluder.getFunctionUsingForReallyEachTiddler=_50;abego.TiddlyWikiIncluder.useForReallyEachTiddler=_5e;abego.TiddlyWikiIncluder.addListener=function(_79){_37.push(_79);};abego.TiddlyWikiIncluder.addListener(_40);if(config.options.chkUseInclude===undefined){config.options.chkUseInclude=true;}config.shadowTiddlers.AdvancedOptions+="\n<<option chkUseInclude>> Include ~TiddlyWikis (IncludeList | IncludeState | [[help|http://tiddlywiki.abego-software.de/#%5B%5BIncludePlugin%20Documentation%5D%5D]])\n^^(Reload this ~TiddlyWiki to make changes become effective)^^";config.shadowTiddlers.IncludeState="<<includeState>>";var _7a=function(e,_7c,_7d){if(!anim||!abego.ShowAnimation){e.style.display=_7c?"block":"none";return;}anim.startAnimating(new abego.ShowAnimation(e,_7c,_7d));};abego.TiddlyWikiIncluder.getDefaultProgressFunction=function(){setStylesheet(".includeProgressState{\n"+"background-color:#FFCC00;\n"+"position:absolute