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<title>Uma espécie de blog a partir da fotografia</title>
<link>http://www.renatoroque.com/umaespeciedeblog</link>
<description>renato roque © rroque    </description>
<language>en</language>
<copyright>Copyright 2012 rroque</copyright>
<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 16:58:42 GMT</pubDate>
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<title>2012-01 - Proibido Fotografar Fotografias 4 - Continuação</title>
<description>&lt;table class=&quot;twtable&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr class=&quot;evenRow&quot;&gt;&lt;td&gt;&lt;img src=&quot;%20./wikiImages/proibidoStruth3.jpg&quot; alt=&quot;Proibido Fotografar Fotografias&quot; title=&quot;Proibido Fotografar Fotografias&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span class=&quot;indent&quot;&gt;&lt;span class=&quot;indent&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10px;&quot;&gt;©Renato Roque, &lt;strong&gt;Proibido Fotografar Fotografias do Struth&lt;/strong&gt;, Serralves, Janeiro 2012&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span class=&quot;indent&quot;&gt;&lt;span class=&quot;indent&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10px;&quot;&gt; &lt;strong&gt;Nota&lt;/strong&gt;: Esta foi a fotografia que fiz à frente da segurança do museu, antes de me virem informar que era proibido. Espero que não constitua um &quot;uso indevido de imagens do artista&quot;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;Na sequência do meu protesto, aqui e no FB, recebi vários comentários a solidarizarem-se com a minha posição, mas também recebi um email de Serralves tentando esclarecer a situação. Fiquei contente, pois revela que Serralves está atenta aos protestos dos seus visitantes. Tendo obtido autorização, decidi divulgar aqui esse mail e a minha resposta.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;u&gt;MAIL de SERRALVES:&lt;/u&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Exmo. Senhor, &lt;br&gt;&lt;br&gt;Gostaríamos, antes de mais, de agradecer a visita que efectuou à Fundação de Serralves no passado dia 15 de Janeiro.&lt;br&gt;&lt;br&gt;O nosso objectivo primordial é proporcionar aos nossos visitantes uma experiência única e enriquecedora. Nesse sentido, consideramos fundamental dispor das opiniões e apreciações de quem nos visita por forma a podermos implementar acções que visem a constante melhoria dos serviços que prestamos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A atenção que os nossos visitantes nos merecem reflecte-se na justificação infra que a Direcção do Museu preparou como resposta ao comentário produzido no seu blog.&lt;br&gt;&lt;br&gt;É um facto que o trabalho do artista Thomas Struth se tem vindo a desenvolver, em grande medida, graças à generosidade de museus que albergam algumas das consideradas obras-primas da arte ocidental. Nenhuma das imagens por si produzidas foi feita à revelia das instituições que autorizaram o fotógrafo a permanecer nas suas salas com equipamento fotográfico distinto daquele comummente transportado pelo comum visitante de museus – porque sabiam que Thomas Struth iria utilizar técnicas fotográficas irrepreensíveis, respeitar ao máximo as qualidades das peças, fotografando-as de forma a sublinhar as suas características, nomeadamente cromáticas. Uma das vertentes do seu trabalho passa pela crítica ao turismo cultural de massas que “obriga” as pessoas a circular por salas de exposição muitas vezes dedicando pouca atenção às obras apresentadas, que fotografam rapidamente ou cuja reprodução compram nas lojas dos museus. Ora o artista, a quem interessa contrariar o ritmo frenético com que hoje vemos exposições, propenso a distracções visuais mais do que à contemplação, pretende com a proibição de fotografar as suas obras garantir o espaço para a contemplação mais ou menos demorada das mesmas. Por outro lado, e infelizmente, multiplicam-se os casos de usos indevidos de imagens dos artistas – oferecidas pelas recentes plataformas de distribuição de imagens, nomeadamente a internet e que, em muitos casos, desrespeitam a natureza do seu próprio trabalho. Querendo controlar a forma como o seu trabalho é visionado e garantir que esse visionamento acontece em condições perfeitas, é o próprio artista quem coloca restrições no que toca à sua circulação.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Com os nossos melhores cumprimentos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Direcção de Marketing e Desenvolvimento&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;u&gt;MINHA RESPOSTA:&lt;/u&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;À Direção de Marketing e Desenvolvimento de Serralves&lt;br&gt;&lt;br&gt;Gostaria de começar por agradecer o vosso mail, tentando esclarecer as razões da proibição de fotografar na exposição de Thomas Struth em Serralves, na sequência do conhecimento de um post meu, na minha espécie de blog, dedicado a esse assunto.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A seguir gostaria de esclarecer que o meu protesto e mesmo indignação não se volta contra Serralves, como tenho deixado claro neste e noutros posts dedicados a estas proibições na minha espécie de blog. Eu sei, porque visito Serralves com regularidade, que a política desta instituição tem sido sempre a de deixar fotografar, a menos que os autores obriguem a assumir uma posição diferente. Na exposição ao lado, do Eduardo Batarda, pude fotografar o que quis. A minha luta contra a proibição de fotografar em locais públicos, em particular nas exposições de fotografia, é antiga e tenho outros posts dedicados ao assunto. Foi o caso de das exposições de Robert Rauschenberg e de Augusto Alves da Silva em Serralves. A proibição nesses casos também se deveu a imposições desses autores.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Vejamos agora os argumentos que apresentam:&lt;br&gt;&lt;br&gt;Eu conheço há muito o Thomas Struth e vi muitos dos seus trabalhos em muitas exposições em vários sítios da Europa. Não tenho qualquer dificuldade em reconhecer que o seu projecto dedicado aos museus, que integra a exposição de Serralves, pode conter uma crítica subtil &quot;ao turismo cultural de massas que “obriga” as pessoas a circular por salas de exposição muitas vezes dedicando pouca atenção às obras apresentadas, que fotografam rapidamente ou cuja reprodução compram nas lojas dos museus&quot;. A partir desta observação não polémica afirmam no vosso email que o artista &quot;pretende com a proibição de fotografar as suas obras garantir o espaço para a contemplação mais ou menos demorada das mesmas&quot;. Poderia ser um bom argumento ainda que a série &quot;os museus&quot; seja apenas uma pequena parte da obra exposta. A ser constatável, essa proibição e essa razão poderiam inculcar no trabalho de Struth até uma certa contemporaneidade de provocação ao visitante e de crítica aos conceitos massificados de cultura e de arte. No entanto observamos que a  informação de proibição de fotografar é quase invisível. Eu procurei-a, ao entrar na exposição e nas salas, pois queria fotografá-la, como acabei por fazer. Como informo no meu post, quando visitei a exposição, tinha já sido avisado da proibição e já estava pronto para a encarar.  A verdade é que tive de perguntar à segurança onde estava a proibição afixada. Ou seja, só os visitantes que tentam fotografar e o fazem à frente de um segurança são informados dessa proibição. Poderia ser uma simples falha de publicitação na montagem. Então eu li com atenção a folha distribuída aos visitantes. Nenhuma informação sobre a proibição. Procurei no catálogo e, mais uma vez, nada... Procurei na internet, em vários sites com informação sobre o trabalho de Struth, e nada. Para uma componente conceptual do seu trabalho tão importante pois &quot;pretende garantir o espaço para a contemplação mais ou menos demorada das obras&quot;, já seria incompetência. Se houvesse competência, esta proibição teria de ser bem visível e por exemplo obrigar quem quisesse fotografar a pedir um autocolante na recepção acompanhado de informação sobre o assunto para propiciar o tal &quot;espaço de contemplação&quot;. Há muitos museus, como devem saber, onde todos podem fotografar mas têm de pedir uma autorização na recepção. Ora, eu sei que Serralves é competente e que a montagem e a informação foi feita de acordo com as instruções de Struth. Eu estou certo de que a informação que me enviaram sobre a razão da proibição seja baseada em qualquer informação que obtiveram do Struth, onde gostaria de saber, mas essa informação conceptual é invisível para quem visita a exposição, mesmo depois de uma procura militante na folha de sala, catálogo e internet. É por isso estanho que ela exista de facto.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Vejamos o outro argumento &quot;multiplicam-se os casos de usos indevidos de imagens dos artistas – oferecidas pelas recentes plataformas de distribuição de imagens, nomeadamente a internet e que, em muitos casos, desrespeitam a natureza do seu próprio trabalho. Querendo controlar a forma como o seu trabalho é visionado e garantir que esse visionamento acontece em condições perfeitas, é o próprio artista quem coloca restrições no que toca à sua circulação&quot;. Eu sei que é próprio artista quem coloca as restrições e é isso que eu considero estúpido e imoral, sobretudo neste caso. Será esse o argumento de Struth, mas alguém inteligente pode aceitar este argumento? Se eu quiser obter qualquer imagem do Struth, elas estão na Internet e também posso obtê-las de livros, até do catálogo que editaram, muito mais facilmente do que fotografar as obras com vidros e iluminação deficiente . Posso pegar nessas imagens e fazer todo o uso indevido que quiser. (Ver, por exemplo, o concurso que organizei aqui sobre &quot;O Genuino Struth&quot;, que não considero indevido)&lt;br&gt;&lt;br&gt;Reafirmando que o meu protesto não é contra Serralves, mas é por uma questão de principio e por não aceitar limites à liberdade de fotografar em locais públicos, a não ser em casos muito bem justificados, como por exemplo fotografar certas obras com flash. Se Serralves errou, foi apenas em não afirmar claramente na proibição e no esclarecimento que enviaram que ela se devia &lt;strong&gt;apenas&lt;/strong&gt; à exigência do autor, contrariando a política normal do museu.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Tal como no passado continuarei a gostar de visitar Serralves, que considero que tem tido um papel muito positivo no panorama artístico em Portugal, mesmo reservando o meu direito a expressar o meu sentido critico, quando achar que o devo tornar público.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Melhores cumprimentos&lt;br&gt;&lt;br&gt;Renato Roque</description>
<category>2012-01</category>
<category>Fotografia</category>
<category>Serralves</category>
<category>Struth</category>
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<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 16:58:40 GMT</pubDate>

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